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A bonequinha de corda

História de: Cleunice José da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/01/2013

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A cidade em que eu nasci era uma cidadezinha bem antiga. De lá do Mirante a gente mudou para Rosana, que estava perto do rio Paranapanema. Era uma cidade bem simples, bem humilde, até que chegaram os projetos para construir uma barragem, de Porto Primavera, e aí que a cidade começou a melhorar. Meu pai trabalhava de lavrador e minha mãe era dona de casa. A vida no sítio era de plantações, roça de safra com cada período um tipo de colheita. Era uma vida livre, de subir em árvore, brincar com os bichos, uma liberdade total. A gente era feliz e não sabia. Eu e meus irmãos brincávamos daquelas brincadeiras antigas, de roda, de passar anel. Depois que a gente saiu do sítio e fomos pra cidade de Rosana, meu pai foi trabalhar num grupo escolar. Ele foi tomar conta da horta da escola da cidade, na escola que eu estudava. Meu pai ia sempre pescar no rio Paranapanema, a gente ia nadar...a maior recordação dessa vida nativa era o rio, que fazíamos no fim de semana como se fosse um acampamento. A gente pegava na beira dos barcos, dávamos uns mergulhos. Fora o rio a gente ia muito pra igreja. Tinha também um campinho de futebol e quando vinham times de outras cidades era uma festa. Tinham também as festas juninas, essas coisas bem antigas. Essa foi a minha vida de infância, que era de freqüentar a cidade com os outros jovens. Tinha muito da religião, que a gente cantava os hinos da igreja. Mas a verdade é que eu ia na missa só pra olhar os dentes do padre, que era um padre italiano. Todo mundo prestava atenção na missa e eu ficava olhando os dentes do padre. A escola também era muito boa, era como uma família, uma extensão da casa. Não tinha desrespeito com os professores. Mas teve uma professora de artes que me marcou por algo errado. A gente tinha que fazer certa vez uma boneca de corda, que me deu um trabalho danado pra fazer. A minha ficou tão linda, a mais bonita. E todos encantados. Aí a professora falou “Ah, Cleunice, dá pro diretor essa bonequinha”. Até hoje eu me arrependo de ter dado a bonequinha pra ele.
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