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História

A arte de conquistar os outros

História de: José Geraldo Freire
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/12/2005

Sinopse

Em seu depoimento, José Geraldo Freire descreve sua experiência na empresa Aché, compartilhando histórias da criação das filiais de Minas Gerais, de suas viagens à trabalho e de suas estratégias e conquistas para inserir os produtos da marca no mercado. Geraldinho, como é chamado por seus clientes, conta como a Aché e todo seu trabalho como representante são voltados para as pessoas.

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História completa

Projeto Aché Vai Contar Sua História

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de José Geraldo Freire

Entrevistado por Imaculada Lopes

Mangaratiba, 29 de abril de 2002

Código: ACHE_CB137

Transcrito por Elisabete Barguth

Revisado por Laura Flaquer Moreira 

P - Geraldo, para começar eu queria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento.

R - Meu nome é José Geraldo Freire, eu nasci na cidade de Alpinópolis, Minas Gerais, no dia 19/11/1959.

P - E foi em Minas que você começou a trabalhar no Aché?

R - Bom, eu terminei os meus estudos Colégio Monfort em Carmo do Rio Claro, onde eu tinha colegas que chegaram a formar um ano antes e vieram para Belo Horizonte. Belo Horizonte, de Alpinópolis e Carmo do Rio Claro está numa distância de 350 quilômetros. Eu estudava à noite e sempre que esses colegas retornavam a Carmo do Rio Claro a gente tinha oportunidade de se encontrar. E falavam: “Geraldo, quando você terminar o curso - eu estava fazendo na época técnico de contabilidade - vai passear em Belo Horizonte. Ou se você se interessar em trabalhar em Belo Horizonte, ou mesmo continuar seus estudos, procura a gente.” Então logo que eu terminei o curso de técnico de contabilidade vim à Belo Horizonte e procurei esses colegas e formou-se uma república desses cinco colegas, nos tornamos cinco irmãos residindo em Belo Horizonte. Cada um trabalhava em uma empresa. Um deles trabalha até hoje no Banco Mercantil do Brasil. Os outros trabalhavam em escritório de contabilidade, outro na engenharia. E assim eu iniciei no Aché, como já te citei, em 1982, fazendo parte dessa república de cinco colegas da cidade vizinha de onde eu nasci, que é Carmo do Rio Claro. Iniciei no Aché com o cargo de auxiliar de estoque, por um período curto de três meses. Logo fui convidado pela gerente administrativo e o próprio dono do Aché, Adalmiro Dellape Baptista, a ser o encarregado de uma obra que iniciaria naquele mesmo ano, na própria sede, onde existiam na época duas casas antigas, onde estava em funcionamento a filial Minas. Uma dessas casas, para início das obras, seria demolida para estruturar uma das partes da empresa.

P - O que foi construído Geraldo?

R - Na época, nessa primeira parte, foram construídos dois andares para que o pessoal que estava nas outras instalações pudesse ocupar. Ou seja, a área administrativa mais a área para as reuniões de vendas. Logo que essa parte terminou a construção, foi liberada a segunda casa, que foi demolida, e é onde hoje esta a sede de Minas Gerais, com cinco andares. Uma das obras mais lindas que tem na rua Gonçalves Dias, 3172. Não estou falando isso porque participei como encarregado, porque teve também ação de mestres de obra, engenheiros, arquitetos... Quer dizer, uma ação coletiva para construir aquela beleza que realmente está para ser vista, onde agrega a área administrativa, departamento de vendas, salas de gerência, salão nobre para recepção de equipes médicas e eventos, uma linda piscina com churrasqueira, vestiários, e onde dispõe também de uma quadra para esporte. Então realmente ficou uma estrutura muito perfeita.

P - Quanto tempo demorou para ser construído esse prédio?

R - Olha, teve uma duração de quatro anos.

P - Você lembra da festa de inauguração do prédio?

R - Lembro. Eu era o churrasqueiro. Fui convidado pelo gerente da época para participar daquele evento, onde tivemos oportunidade de reunir toda a equipe Aché de Minas Gerais. Foi uma festa encantadora.

P - Foram os familiares também ou só a equipe?

R - De início tivemos oportunidade de reunir as equipes. Posteriormente tivemos oportunidade de reunir toda a equipe administrativa. E como é de costume em todo o final de ano, reunia a família Aché, e muitos familiares foram. Como foi realizada em outro local, a festa de confraternização, nós tivemos um encontro onde toda a família Aché teve a oportunidade de apreciar aquela beleza que foi a construção.

P - Aconteceu alguma coisa de especial nessa festa de inauguração?

R - Ah, sempre acontece, porque o Aché é sempre uma empresa inovadora, criativa, que valoriza muito o lado humano.

P - O que aconteceu que te marcou mais nessa festa?

R - Enumerar fica até difícil, porque são tantas inovações. Você vê as próprias esposas terem direito a receber no dia das mães flores, uma lembrança especial para o dia das mães. No dia das crianças os filhos vão ali, receber uma lembrança. No final de ano, se você tem um filho, dois filhos, três filhos, todos os seus filhos recebem uma lembrança do Ache. E o representante recebe uma lembrança do seu próprio supervisor, uma cesta de Natal muito requintada.

P - E o que você acha que é tão bonito, que te dá tanto orgulho?

R - Olha, é uma emoção muito forte. Não em si o prédio, mas as pessoas que compõem aquele prédio. Porque o prédio realmente é bonito, mas o que enfeita são as pessoas que estão ali dentro: aquela harmonia, aquele conforto que realmente ele oferece para a família Aché.

P - Qual foi a fase seguinte do teu trabalho, Geraldo?

R - Bom, logo após o término do prédio, eu fui convidado por quatro gerentes - e realmente um gerente regional - para participar de uma seleção na área de vendas, para ser propagandista, vendedor, cobrador. Tive a oportunidade de ser aprovado e a felicidade de estar exercendo essa profissão até hoje.

P - Qual área você foi trabalhar quando começou como propagandista?

R - Olha, eu já caminhava, já tinha quatro anos e meio de área administrativa. Hoje eu já tenho mais de 20 anos, então, tem aí 16 anos que eu trabalho como representante.

P - E quando começou você foi trabalhar em que região de Minas?

R - Eu fui trabalhar na região de Contagem, região da Grande Belo Horizonte. Fui trabalhar também em Betim, cidade que também faz parte, como Nova Lima, onde eu tive a oportunidade de exercitar esse trabalho de representante.

P - E nesses anos de propagandista tem alguma história, com algum produto, ou alguma campanha, que tenha te marcado mais?

R - Enormes. Na época o Aché estava fazendo o lançamento de Biofenac. Era um medicamento que já existia o sal dele no mercado. Mas o Aché sempre teve a facilidade de que tudo que ele toca a mão modifica. Então nós iniciamos o lançamento de Biofenac. E as vendas de Biofenac começaram, surge as primeiras receitas. Mas nós, como representantes, a gente tem anseio por respostas rápidas. Então, enquanto saía uma, duas respostas, receitas de Biofenac, saíam dez, 15 receitas de Voltarem, Cataflan, que eram o mesmo sal. Nessa mesma época surgiram também novas drogas e começaram a bater de frente com os próprios clínicos ortopedistas. Estava realmente aquela disputa de mercado, e nós éramos propagandistas, vendedores e cobradores, então nós recebíamos por aquilo que nós vendíamos. Nós tínhamos na carteira um salário mínimo, o restante do nosso salário era através de comissões. Então o Aché, por ter uma sede muito bem estruturada, com quadra, com churrasqueira, com vestiários, eu sentia que precisaria fazer alguma coisa diferente, pois na região que eu trabalhava, estava me sentindo incomodado vendo sair 15, 20 receitas de Voltarem, de Cataflan, e do remédio da Shering que avançava também no mercado. Eu sentia necessidade, estava sentindo que era hora de fazer alguma coisa. Aí eu convidei... Primeiro, pedi autorização à gerência, para que pudesse fazer um churrasco para os residentes do Hospital de Santa Rita. São oito residentes, o custo ia ficar em conta. Eu estaria realmente me propondo a gastar aquele dinheiro com um churrasco em prol daqueles residentes, e o Aché entraria com a área de lazer. E eles aceitaram. Então, em plena quarta-feira, eu convidei os residentes, esses oito residentes, que envolviam médicos e médicas. Para eles foi uma coisa diferente, porque eles, residentes, moram no hospital, comem aquela comida de hospital. Quer dizer, todo o dia ali é a mesma coisa. Também eles se sentiram engrandecidos por aquele convite, de alguém estar fazendo alguma coisa por eles. Então foi um contentamento, sabe? Já fiz aquele convite na segunda-feira, e era na terça, na quarta, aquela preocupação, aquele anseio deles. E não deu outra, a gente realmente preparou o churrasco para a noite e...

P - Você que foi o churrasqueiro?

R - Eu fui o churrasqueiro, fui o garçom, tudo na época, muito planejado. Fui lá na hora do almoço pus a cerveja para gelar. Levei uma pinga, porque tem aquelas pessoas que gostam de tomar uma pinga antes, deixei a carne temperada... Ficou tudo preparado. E à noite realmente aconteceu o lindo churrasco.

P - Quem participou foram só os residentes?

R - Os residentes. Alguns até namoravam as próprias residentes; aquelas coisas que é muito comum acontecer no meio médico. Nessa oportunidade nós iniciamos o churrasco em torno de oito horas da noite, e eles tiveram oportunidade de beber um pouco para mais. (riso) E já estava dando três horas da manhã. Então, quer dizer, já tinham aproveitado bastante o churrasco, e a bebida... Então sempre tem aquele desafio. E tinha lá um casal, que era o doutor Fernando e a doutora Flávia, e chamaram: Geraldinho, não queremos que você sirva mais cerveja, nem carne, estamos satisfeitíssimos. Senta aqui com a gente e vamos conversar. Geraldinho o que é que você quer que nós oito façamos para você cair na piscina agora, três horas da manhã?”: “eu só quero que vocês prestigiem o produto que eu divulgo para vocês, principalmente o Biofenac”: “pode pular que nós garantimos.” Eu só tirei a carteira do bolso e joguei em cima do freezer, e já caí na água com roupa e tudo, porque também era uma alegria muito grande para mim. E aí todo mundo bateu palma, todos os médicos, virou realmente uma festa. Eu tinha terminado um fechamento de 93% naquela semana. No próximo mês o meu fechamento já foi para 143%. A minha renda é através de vendas, e aquilo ali embalou. Eu estava naquele embalo ganhando mais, e falei: “vou fazer isso com os ginecologistas também.” Estava chegando para o mercado o Biofenac DI, que é um produto indicado para as cólicas menstruais e direcionado à ginecologia. Como o hospital tinha dez ginecologistas, e um deles era o dono do hospital, eu pedi à gerência se eu podia repetir, porque estava dando certo. A gerência deu liberdade. Eu levei também os ginecologistas; o dono do hospital aceitou. Nós fizemos já numa sexta-feira, porque foi o complicado ir até três horas da manhã na quarta, e eu tive que voltar para dar continuidade ao meu trabalho na quinta-feira. Então falei para o João: “vamos fazer na sexta, porque aí as coisas se encaixam.” Então dois deles não puderam ir porque eram os plantonistas daquela noite de sexta-feira. Realmente também foi um sucesso, onde o Biofenac DI também, naquela área foi um sucesso. De o próprio supervisor ir visitar médicos em outras cidades do interior e deparar com ginecologista que prescrevia o Biofenac DI por causa do Geraldinho do Aché. E esse que é residente logo que ele termina vai para uma outra região. Acontecer do gerente ir trabalhar em Ferros, que é uma cidade bem distante de Belo Horizonte, e lá ele deparar com receitas constantes de Biofenac. Ele perguntou para o representante local: “puxa, mas que trabalho maravilhoso que você está fazendo aqui nessa região, hoje já é a terceira receita de Biofenac que eu vejo trabalhando aqui com você.” E na oportunidade eles iam visitar uma médica. Aí chega o gerente, chega o representante, a médica falou: “Ah, um pessoal do Aché está aqui” Chamou o marido dela, que estava atendendo na sala do lado, para também atender o representante Aché. E na conversa com o gerente, onde o representante fez a propaganda de Biofenac, ele falou: “aqui vocês podem ficar despreocupados, que nós só receitamos o Biofenac; é um compromisso que nós temos com o Geraldinho, de seis anos atrás.” Então...

P - Cativou mesmo.

R - Cativou, aceitaram, foi louvável. Hoje todos os dois, médicos, têm consultório na região de Belo Horizonte. A médica, que é a doutora Flávia, tem consultório em Belo Horizonte, e o doutor Fernando tem consultório em Contagem. E prescrevem Biofenac até hoje De incomodar a concorrência, eles chegarem: “mas doutor, hoje nós temos novas drogas, temos hoje o Celebra, e o senhor ainda está prescrevendo diprofenaco?”: “eu não posso prescrever outro, senão o Geraldinho acha ruim.” Então, quer dizer, realmente foi uma conquista. Muitas coisas, nas nossas visitas médicas, você faz uma conquista. Amanhã vem outro representante, faz outra conquista, e aquela conquista que você fez fica esquecida. Você conseguir uma conquista é difícil, mas o mais difícil é você manter a conquista.

P - Atualmente você trabalha em qual região, Geraldinho?

R - Eu já tive oportunidade de trabalhar na cidade mineira de Belo Horizonte. Eu já trabalhei em várias regiões de Belo Horizonte, como Pará de Minas, Joatuba, Mateus Leme.Trabalhar em Itaguara, Carmópolis, em Campo Belo, Oliveira; na cidade de Formiga, de Arcos, em Lavras, Bom Sucesso, Nepomuceno, de trabalhar em uma boa parte de Minas

P - E como faz para conciliar esse dia-a-dia de viajante com a vida familiar? Você é casado?

R - É, eu casei em 1994. Quando eu casei já viajava, então isso leva a uma aceitação, porque namorei seis anos e meio, então já dava para a minha esposa sentir a minha profissão, a preparação, ela até é minha médica. Quando eu estou preparando para uma reunião, quando estou preparando o meu trabalho, ela que auxilia, sabe realmente as minhas obrigações, então isso não foi empecilho em termos de casamento, e realmente eu levo uma vida bastante saudável em termos de relacionamento familiar. Eu sou do Encontro de Casais com Cristo, aqui de Minas, onde a gente tem a oportunidade de participar, e como também trabalhar com 100, 200, 300, 400 casais, e que envolve uma ampla geração, de famílias mais novas, de famílias mais velhas, o relacionamento marido e mulher, a própria vida cristã... E também os...

P - E vocês têm filhos?

R - Tenho uma menina.

P - E como se chama?

R - Ela se chama Marina.

P - Quantos anos?

R - Quatro anos.

P - E ela acompanha as tuas viagens?

R - Ela... Porque o que acontece é que eu gosto muito de sítio, devido à própria família residir em sítio, então às vezes na minha viagem ela termina na sexta-feira, de acordo com a programação. Termina às vezes 100, 200, 300 quilômetros, ou 250, próximo do sítio dos meus familiares. Então, para a gente viver bem a minha esposa já sai naquela sexta-feira, viaja às vezes uns 350 quilômetros para poder me esperar lá, ou às vezes encontrar comigo no final do dia naquela cidade que eu estava trabalhando, para que a gente possa estar indo no sítio juntos, voltando do sítio junto, passando aquele final de semana juntos...

P - E quando você chega na tua casa a sua filha já está esperando?

R - É, no momento que abro o portão, mal coloquei o carro na garagem e ela já está descendo para me encontrar. Isso é todos os dias, porque tem uma semana que eu volto todos os dias para casa, e outra semana viajando, então dá para você conciliar muito bem esse elo familiar.

P - Para ir terminando, eu queria perguntar o que você achou de contar um pouco dessa história? O que você achou dessa experiência?

R - Olha, é muito viva. É um momento que você tem, às vezes, oportunidade para expressar aquilo que fez de bom, que tirou de bons resultados, o que pôde fazer de melhor, ou o que pôde tirar de melhor daquilo que aprendeu, ou que às vezes ensinou. Porque realmente nós estamos aptos a aprender, e também a gente pega realmente um pouquinho de experiência para poder ensinar, né?

P - Muito obrigado pela participação. Pena que a gente só tem que gravar um pedacinho da história; espero que a gente possa outro dia completar.

R - A gente agradece muito a receptividade de vocês, realmente essa atenção que vocês têm com a gente, esse carinho.

P - Imagina, obrigado.

R - Obrigado a vocês também.

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