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História

A arte de conquistar os outros

História de: José Geraldo Freire
Autor:
Publicado em: 06/06/2021

Sinopse

Em seu depoimento, José Geraldo Freire descreve sua experiência na empresa Aché, compartilhando histórias da criação das filiais de Minas Gerais, de suas viagens à trabalho e de suas estratégias e conquistas para inserir os produtos da marca no mercado. Geraldinho, como é chamado por seus clientes, conta como a Aché e todo seu trabalho como representante são voltados para as pessoas.

História completa

Projeto Aché Vai Contar Sua História Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de José Geraldo Freire Entrevistado por Imaculada Lopes Mangaratiba, 29 de abril de 2002 Código: ACHE_CB137 Transcrito por Elisabete Barguth Revisado por Laura Flaquer Moreira P/1 – Geraldo, pra começar, eu gostaria que você dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento. R – Meu nome é José Geraldo Freire, eu nasci na cidade de Alpinópolis, Minas Gerais, no dia 19 de novembro de 1959. P/1 – E foi lá em Minas que você começou a trabalhar no Aché? Como é que foi a sua entrada na empresa? R – Bom, eu terminei os meus estudos no colégio Bonfort no Cabo do Rio Claro, onde eu tinha colegas que chegaram a formar um ano primeiro que eu, onde eles vieram para Belo Horizonte. Belo Horizonte para Alpinópolis, para Rio Claro, é uma distância de 350 quilômetros e porque eu estudava à noite, sempre que esses colegas retornavam pra Rio Claro a gente tinha oportunidade de se encontrar. Bom, aí nesses encontros: “Ô Geraldo, quando você terminar o curso?”, eu tava fazendo na época técnico de contabilidade, “Vai passear em Belo Horizonte às vezes, se você se interessar em trabalhar em Belo Horizonte ou mesmo continuar seus estudos, procura a gente.” Logo que eu terminei o curso de técnico de contabilidade eu vim pra Belo Horizonte e procurei esses colegas que transformaram-se em uma república de cinco colegas e desses cinco colegas nos tornamos em cinco irmãos residindo em Belo Horizonte, cada um trabalhava numa empresa. Um deles trabalha até hoje no Banco Mercantil do Brasil, os outros trabalhavam no escritório de contabilidade, outro na engenharia e assim eu iniciei no Aché como eu citei em 1982, né, fazendo parte dessa república, os cinco colegas da cidade vizinha onde eu nasci que é Cabo do Rio Claro. Iniciei no Aché como auxiliar de estoque por um período curto de três meses, e logo eu fui convidado pela gerente administrativa e o próprio dono do Aché, o Adalmiro Dellape Baptista, a ser encarregado de uma obra que iniciaria naquele mesmo ano na própria sede, onde existiam duas casas antigas onde estava em funcionamento a filial Minas. Uma dessas casas, para início das obras, seria demolida para se estruturar uma das partes da empresa. P/1 – O que foi construído lá Geraldo? R – Na época, nessa primeira parte, foram construídos dois andares para que o pessoal que estivesse nas outras instalações pudesse ocupar, que fosse a área administrativa e a área para ser de vendas. Logo que essa parte terminou a construção, como eu disse no início eram duas casas antigas, aí foi liberada a segunda casa que também sofreu demolição e onde é hoje a sede de Minas Gerais com cinco andares, uma das obras mais lindas que tem na rua Gonçalves Dias, 3172. Não tô falando isso porque eu trabalhei como encarregado onde teve ação de Mestres de Obras, Engenheiros, Arquitetos, então quer dizer uma ação coletiva pra construir aquela beleza que tá pra ser vista, né, onde agrega área administrativa, departamento de vendas, salas de gerência, salão nobre para recepção de equipes médicas, eventos, né, uma linda piscina com churrasqueira, vestiários e onde dispões também uma quadra pra esporte, então realmente ficou uma estrutura muito perfeita. P/1 – Quanto tempo demorou pra ser construído esse prédio? R – Olha, esse prédio teve uma duração de quatro anos. P/1 – Você lembra da festa de inauguração do prédio? R – Lembro. P/1 – Como é que foi? R – Eu era o churrasqueiro, fui convidado pelo gerente da época pra participar daquele evento onde nós tivemos a oportunidade de reunir toda a equipe Aché de Minas Gerais, foi uma festa encantadora. P/1 – Foram os familiares também ou só a equipe? R – De início nós tivemos a oportunidade de reunir as equipes, posteriormente nós tivemos a oportunidade de reunir toda equipe administrativa e, como é de costume, todo final de ano o Aché reuniu toda família Aché. Muitos familiares foram, e como a festa de confraternização foi realizada em outro local, nós tivemos um encontro onde toda família Aché teve a oportunidade de apreciar aquela beleza que foi a construção. P/1 – Aconteceu alguma coisa de especial nessa festa de inauguração? R – Sempre acontece, porque o Aché é uma empresa inovadora, é uma empresa muito criativa, que sempre valoriza o lado humano, né? P/1 – O que aconteceu que te marcou mais nesta festa? R – Só pra enumerar fica difícil, porque são tantas inovações, as próprias esposas terem direito de receber flores no dia das mães, uma lembrança especial pras mães. No dia das crianças os próprios filhos vão ali e recebem uma lembrança, e no final do ano se você tem um filho, se você tem dois filhos, se você tem três filhos, todos os seus filhos recebem uma lembrança do Aché, além do próprio representante receber uma lembrança do seu supervisor que era na época, né, uma própria lembrança, uma cesta de natal muito requintada. P/1 – Por que você acha esse prédio tão bonito, por que te dá tanto orgulho? R – Olha, é uma emoção muito forte não por si o prédio, mas as pessoas que compõem aquele prédio. Porque o prédio realmente é bonito, mas o que enfeita aquele prédio são as pessoas que estão ali dentro, é aquela harmonia, é aquele conforto que realmente oferece pra família Aché. P/1 – Qual foi a fase seguinte do teu trabalho, Geraldo? R – Bom, logo após o término do prédio, eu fui convidado por quatro gerentes e por um gerente regional para participar na seleção na área de vendas, onde você era propagandista, vendedor, cobrador, à qual fui submetido. Tive a oportunidade de ser aprovado e ter a felicidade de estar exercendo esta profissão até hoje. P/1 – Qual área que você foi trabalhar quando você começou como propagandista? R – Olha, eu já tinha quatro anos e meio de área administrativa, né? Hoje eu já tenho mais de 20 anos, então eu tenho aí 16 anos que eu trabalho como representante. P/1 – Quando você começou, você foi trabalhar em qual região de Minas? R – Eu fui trabalhar na região de Contagem. Contagem é a grande Belo Horizonte, ela tem um elo muito grande com a grande Belo Horizonte. Fui trabalhar também em Betim, onde ela faz parte... cidade como Nova Lima, onde eu tive a oportunidade de exercitar esse trabalho na área de representante. P/1 – E nesses anos de propagandistas tem alguma história com algum produto, com alguma campanha que tenha te marcado mais? R – Enormes. Na época o Aché estava trazendo o lançamento de Biofenac, então, quer dizer, era um medicamento que já existia no mercado, mas o Aché sempre teve aquela facilidade que tudo que ele toca a mão modifica. Então nós iniciamos o lançamento do Biofenac. Como você tem um produto que tem um saldo no mercado, quer dizer, você vai dar continuidade e nas vendas de Biofenac começaram a surgir as primeiras receitas, mas nós como representantes nós temos anseios por respostas rápidas. Então, quando a gente “sentia de vê”, quando saía uma resposta, uma receita de Biofenac, saíam 10, 15 ou 20 receitas de Voltaren e Cataflan que era o mesmo saldo, então nessa mesma época saíram novas drogas como a Nimesulida, né, que é indor da coques e que também começaram a bater de frente com os próprios clínicos ortopedistas e tava realmente aquela disputa de mercado. E nós éramos propagandistas, vendedores e cobradores, então nós recebíamos por aquilo que nós vendíamos, nós tínhamos na carteira um salário mínimo, o restante do nosso salário era através de comissões. Então o Aché, com uma sede muito bem estruturada, com quadra, com churrasqueira, com vestiário, eu senti que precisaria fazer alguma coisa de diferente na região em que eu trabalhava. Eu tava me sentido incomodado vendo sair 15, 20 receitas de Voltaren, Cataflan e o próprio Nimesulida que é o Scaflam da Schering, que avançava também no mercado. Eu falei: “Eu tô sentindo necessidade, eu tô sentindo que é hora de fazer alguma coisa.” Aí eu convidei, pedi autorização primeiro à gerência pra que eu pudesse fazer um churrasco para os residentes do Hospital Santa Rita, eram oito representantes, o custo ia ficar em conta, estaria me propondo gastar aquele dinheiro com churrasco com aqueles residentes e o Aché entraria com a área de lazer e eles aceitaram. Então, em plena quarta-feira, eu convidei esses oito residentes, os quais envolviam médicos e médicas. Foi assim, algo diferente, porque residentes moram no hospital, comem aquela comida de hospital, quer dizer, todo dia ali é a mesma coisa, então eles se sentiram engrandecidos por aquele convite, por alguém estar fazendo alguma coisa por eles. Então foi aquele contentamento, eu já fiz aquele convite na segunda-feira e era na terça, na quarta aquela preocupação, aquele anseio deles... e não deu outra, a gente preparou o churrasco pra noite… P/1 – Você que foi o churrasqueiro? R – Eu fui o churrasqueiro, eu fui o garçom, na época tudo muito planejado. Já fui na hora do almoço, já pus a cerveja pra gelar, levei uma pinga porque tem pessoas que gostam de tomar uma pinga antes, já deixei a carne temperada, ficou tudo preparado. E à noite realmente aconteceu… P/1 – E quem participou, só os residentes? R – Só os residentes, alguns namoravam até as próprias residentes, aquelas coisas que é muito comum acontecer no meio médico. Nessa oportunidade, nós iniciamos o churrasco às 20 horas e eles tiveram a oportunidade de beber um pouco mais e já tava dando três horas da manhã, quer dizer, já tinham aproveitado bastante o churrasco e também da bebida e sempre tem aquele desafio. E tinha lá um casal, o Doutor Fernando e a Doutora Flávia, que me chamaram: “Geraldinho, não serve mais cerveja, nem carne, estamos satisfeitíssimos, senta aqui com a gente pra podermos conversar. Geraldinho o que você quer que nós façamos pra você cair na piscina agora às três horas da manhã?” “Eu só quero que vocês prestigiem o produto que eu divulgo pra vocês, principalmente o Biofenac” “Pode pular que nós garantimos”. Eu só tirei a carteira do bolso e joguei em cima do freezer e já caí na água com roupa e tudo, porque também era uma alegria muito grande pra mim, aí todo mundo foi bater palma, todos os médicos, virou aquela última festa. Eu tinha terminado um fechamento de 93% naquela última semana, no próximo mês o meu fechamento virou pra 143%. Quer dizer, a minha renda é através de vendas e aquilo ali embalou, eu tava num tremendo embalo ganhando mais, eu disse: “Eu vou fazer isso com os lojistas também.” Estava chegando no mercado o Biofenac DI, que é um produto de ação instantânea e indicado pras cólicas menstruais e indicado pra ginecologia. E aí, como o hospital tinha dez ginecologistas e um deles era dono do hospital, pedi à gerência se podia repetir porque tava acontecendo, a gerência deu liberdade, levei os dez ginecologistas, o dono do hospital solicitou pra que nós fizéssemos na sexta-feira, porque foi complicado ir até às três horas da manhã na quarta e dar continuidade no trabalho na quinta-feira. Então eu falei: “Vamos fazer na sexta pra que o negócio se encaixe”. Dois deles não puderam ir porque eram os plantonistas daquela noite de sexta-feira. Onde também foi um sucesso, o Biofenac DI realmente naquela área foi um sucesso de acontecer, do próprio supervisor ir visitar médico de outra cidade do interior e se deparar com ginecologista que prescrevia Biofenac DI por causa do Geraldinho do Aché. E esse que é residente, logo que ele terminou a residência, ele foi pra uma outra região e aconteceu do gerente ir trabalhar em Ferros, que é uma cidade bem distante de Belo Horizonte. Indo lá ele se deparou com receitas constantes de Biofenac. Ele perguntou pro representante local: “Poxa, mas que trabalho maravilhoso que você está fazendo aqui nessa região, hoje já é a terceira receita de Biofenac que eu vejo trabalhando com você”. E na oportunidade eles iam pra visitar uma médica. Aí chega o gerente, chega o representante, a médica falou: “Olha, o pessoal do Aché tá aqui.” Chamou o marido dela que tava atendendo na sala ao lado, pra também atender o representante do Aché e na conversa com o gerente, onde o representante fez a propaganda do Biofenac, ele falaram: “Não, aqui vocês podem ficar despreocupados com o produto Biofenac, nós só receitamos o Biofenac, é um compromisso que nós temos com o Geraldinho há seis anos”. Então… P/1 – Cativou mesmo. R – Cativou, foi aceitável, foi louvável. Os dois médicos têm consultório na região de Belo Horizonte, a médica que é a Doutora Flávia tem consultório em Belo Horizonte e o Doutor Fernando tem consultório em Contagem, e prescrevem Biofenac até hoje, de acontecer de incomodar a concorrência: “Não, Doutor, hoje nós temos novas drogas nós temos _______, nós temos Vioxx, nós temos Celebra e o senhor até hoje tá prescrevendo Biofenac?” “Eu não posso prescrever outro, senão o Geraldinho acha ruim.” Quer dizer, foi uma conquista, tem muitas coisas que nas nossas visitas médicas, muitos médicos você faz uma conquista, amanhã vem outro faz outra conquista, e aquela conquista que você fez fica esquecida. O mais difícil é você manter a conquista. P/1 – Atualmente você trabalha em qual região, Geraldinho? R – Hoje eu já tive oportunidade de trabalhar em vários pontos de Belo Horizonte, já trabalhei em várias regiões como Pará de Minas, Juatuba, já tive oportunidade de trabalhar em Taguá, Carmópolis, em Campo Belo, Oliveira, na cidade de Formiga, de Arcos, tive a oportunidade de trabalhar em Lavras, Bom Sucesso, Nepomuceno, Perdões. Eu já tive oportunidade de trabalhar em uma boa parte de Minas. P/1 – E como é que faz pra conciliar esse dia a dia de viajante com a vida familiar? Você é casado? R – Eu casei em 1994, né, eu quando casei eu já viajava, então isso também leva a uma aceitação, porque eu namorei seis anos e meio, então já dava pra minha esposa sentir a minha profissão. Na minha preparação ela é a minha médica, né, quando eu estou preparando para uma reunião, quando eu estou preparando pro meu trabalho é ela que realmente me auxilia, ela sabe realmente as minhas obrigações. Então isso não foi empecilho para o meu casamento, e eu levo a vida assim, bastante saudável em termos de relacionamento familiar. Eu sou do ECC que em Minas Gerais se dá o nome de Encontro de Casais com Cristo, onde a gente tem oportunidade de participar e também de trabalhar com 100, 200, 300, 400 casais, que envolve uma ampla geração de famílias mais novas, de famílias mais velhas com relacionamento marido e mulher. P/1 – E vocês têm filhos? R – Eu tenho uma menina. P/1 – Como ela se chama? R – Ela se chama Marina. P/1 – Tá com quantos anos? R – Tá com quatro anos. P/1 – E ela acompanha as tuas viagens? R – O que acontece é que eu gosto muito de viajar, mas eu gosto de sítio, devido a própria família residir em sítio, então a minha viagem termina na sexta-feira, de acordo com a programação, muitas vezes tem que retornar, já termina muitas vezes 100, 200, 300 quilômetros ou 350 próximo do sítio dos meus familiares. Então, pra gente viver bem, a minha esposa já sai na sexta-feira, viaja os 350 quilômetros pra poder me esperar lá ou às vezes encontrar comigo no final do dia daquela cidade que eu estou, pra que a gente possa ir e voltar do sítio juntos, passando aquele final de semana juntos. P/1 – E quando você chega na sua casa, você tava contando que a sua filha já tá com o ouvido ligado. R – Quando eu abro o portão, to colocando o carro dentro da garagem, ela já tá descendo pra me encontrar. Isso é todos os dias, porque eu trabalho uma semana que eu volto todos os dias pra casa e trabalho uma semana viajando, entendeu, então dá para conciliar muito bem esse elo familiar. P/1 – Pra gente ir terminando, eu queria perguntar o que você acha de contar um pouco desta história, o que você achou dessa experiência. R – É muito viva. Não é sempre que você tem oportunidade de expressar aquilo que você fez de bom, aquilo que você tirou de bons resultados, o que você pode fazer de melhor ou o que você pode tirar de melhor daquilo que você aprendeu ou às vezes daquilo que você ensinou, porque nós, no momento, estamos aptos a aprender. A gente pega um pouquinho de experiência às vezes pra poder ensinar. P/1 – Tá certo, muito obrigada pela participação. Pena que a gente tem que gravar um pedacinho da história, espero que a gente possa um dia completar, né? R – A gente agradece muito a receptividade de vocês, realmente essa atenção que vocês têm com a gente, esse carinho. P/1 – Obrigada. E aí você fica convidado a completar outras histórias através do site, da revista. --- FIM DA ENTREVISTA ---

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