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História

A arte da escuta

História de: Sílvia Canabrava
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/01/2022

Sinopse

Silvia lembra da infância em Januária (MG) e da liberdade que desfrutava para brincar. Fala de sua primeira escola e de professoras marcantes. Mais adiante, cursou a Escola Normal, formou-se professora e começou a dar aulas. Em maio de 1990 transferiu-se para Brasília e um ano depois foi admitida, por concurso, na rede pública de ensino do DF. Filiou-se ao SINPRO-DF, participou das mobilizações lideradas pelo sindicato e, depois de aposentada, aceitou o convite, por intermédio de Isabel Portuguez, para integrar uma chapa às eleições sindicais e atuar na Secretaria de Aposentados.

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História completa

A gente vivia aquela infância gostosa que hoje as crianças não vivem mais. Hoje em dia as crianças são muito ligadas ao computador, a celulares, e naquela época a gente brincava, tinha espaço para brincar, para correr, para subir nas árvores. O local onde a gente morava nos proporcionava essas condições de viver a vida de forma diferente. Eu fui criada assim, na simplicidade. Venho de uma família muito humilde, mas que me deu toda a base de valor ao trabalho, de como viver honestamente, como lidar com todas as situações. [Minha primeira escola foi a] Escola Estadual Pio XII, lá em Januária. Eu fiz o pré-escolar lá e até a terceira série eu fiquei nessa escola. Eu tive uma professora chamada Lalí Escobar, foi minha professora na terceira série, e ela era professora muito chique, ela chegava toda de salto. E naquela época, quando o professor dava bom dia, nós alunos levantávamos para falar bom dia para a professora, e aí a gente sentava de novo. E essa professora gostava muito de matemática, e ela cobrava muito da gente a tabuada. Ela chamava a gente no quadro para resolver as operações, então a gente tinha muito medo de errar. E tem uma professora chamada Alice, da quarta série, que também marcou muito. Quando foi trabalhar sobre algumas atividades, ela saía com a gente da escola para ir ali naqueles lugares onde tinha matas, goiabeiras. Eu gostava muito de estudar. E lá em Januária, naquela época, só tinha o magistério e o científico. Então, praticamente todas as mulheres faziam magistério. Na turma que eu formei nós éramos 54 normalistas; fizemos o Curso Normal, não tinha nenhum homem, parece que a profissão magistério era só para as mulheres. Haja vista que até hoje a categoria dos professores é majoritariamente feminina. Cheguei aqui [no Distrito Federal] em maio de 1990. Quando foi em fevereiro de 1991, eu fiz o concurso para Secretaria de Educação e fui aprovada. E como tive uma boa classificação, no dia que saiu a classificação eu já fui convocada. Em maio de 1991 eu assumi na Escola Classe 37 de Ceilândia, que ficava próximo de onde eu morava. Eu morava no centro de Ceilândia e assumi lá no P Norte, quando foi em julho eu mudei para perto da escola. Quando a gente está na escola, sempre recebe visitas dos diretores do SINPRO. Ali eles fazem aquele trabalho e a gente via a importância da entidade, de defender a entidade, de estar filiado ao SINPRO. Eu sempre participei das atividades, eu ia às assembleias, mas não tinha assim aquela relação tão próxima, de estar indo ao SINPRO, de participar de determinadas atividades. Mas as assembleias, as greves, nesses movimentos eu sempre estava presente. [Meu envolvimento orgânico com o SINPRO se deu] depois que me aposentei. Eu me aposentei em 2010 e pensei: “Meu Deus, e agora? O que eu vou fazer?” Liguei no SINPRO para ver se tinha alguma coisa voltada para o aposentado. Aí eles me falaram: “Nós temos curso de formação e tudo mais”. Aí eu já fiz logo a minha inscrição e fui fazer o curso de formação sindical para os aposentados, e a coordenadora da Secretaria de Aposentados era minha grande amiga e saudosa Isabel Portuguez. Quando foi em 2013, a Isabel me ligou e falou assim: “Eu gostaria muito de conversar com você”. Ela marcou para eu ir ao SINPRO conversar com ela. Quando eu cheguei lá ela falou para mim: “Olha Silvia, eu observei a sua postura lá no curso e vi que você tem uma facilidade muito grande de conversar com as pessoas. E eu queria convidar você para fazer parte da chapa”. Eu fiquei até assustada! “Silvia, é porque eu vi que você é uma pessoa que gosta de conversar com os outros. Você é uma pessoa humilde, e para trabalhar com aposentado essa é uma característica boa”. Eu penso que o maior segredo [no trato com aposentados] é a gente ter paciência e muita atenção com os aposentados. Os aposentados precisam muito da nossa atenção, do nosso carinho, da nossa disponibilidade em ouvi-los. Eles querem conversar, eles querem que a gente escute, que a gente converse com eles. E eu tenho essa paciência porque acho que não é à toa que eu estou ali naquele lugar. Eu estou aqui para fazer o meu trabalho político, mas também como ser humano eu tenho que atender as pessoas bem. São pessoas que precisam muito do nosso aconchego.

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