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História

Um legado da mediação do saber

História de: Laura Margareth Arrueta Camelo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Natural de Rio Branco, Acre, Laura Margarete Arrueta Camelo nasceu no dia 14 de agosto de 1977. Desde pequena, desejou ser médica. E hoje não tem dúvida alguma de que é melhor professora do que a médica que não conseguiu ser. O importante é que sempre recebeu da mãe o estímulo para, por meio do estudo, superar as dificuldades. No início do ensino fundamental recorda-se de uma professora que lhe serviu de inspiração para a carreira que escolheria. Contrastando, aliás, com uma outra docente que quase interrompeu seus sonhos, suas expectativas desacreditando que fosse capaz. Toda a vivência de sala de aula com a Metodologia Telessala foi sempre orientada para a construção do conhecimento, numa perspectiva de qualificar e humanizar a Educação, o que acredita ter feito por vocação e com paixão.

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História completa

Meu nome é Laura Margarete Arrueta Camelo. Nasci em Rio Branco, no Acre, em 14 de agosto de 1977. Minha mãe foi, por certo tempo, professora de Educação Física e depois trabalhou no comércio. Tive um irmão, que faleceu há quinze anos, e tenho uma irmã quatro anos mais velha que eu. Ficávamos sozinhas em casa, eu cozinhava e ela cuidava dos outros afazeres. E ambas com a responsabilidade de ir para a escola. O resultado é que eu cozinho melhor do que ela.

 

Um risoto de camarão eu faço melhor do que ninguém, modéstia à parte.

 

Minha mãe, mesmo trabalhando fora, sempre esteve muito presente em nossa criação. E muito rigorosa. Costumava dizer que “nós só iríamos sair daquela situação em que nós estávamos, estudando.” Por sinal, minhas lembranças da escola começam no ensino fundamental e, particularmente, a partir de uma professora da terceira ou quarta série - professora Célia - que me fez gostar mais ainda de ir para o colégio. Mais tarde, já adulta e professora, eu encontrei com ela e tive a oportunidade de dizer-lhe:

 

Cheguei até aqui inspirada em você.

 

De uma maneira geral, pelo menos no ensino fundamental, eu achava a escola um espaço não muito atrativo, por conta principalmente da obrigação de decorar. Para não reprovar, eu até decorava certas coisas que ainda hoje conservo na memória mas que nunca fiquei sabendo por que eu precisava aprender.

Fui crescendo e a vida, obviamente, não se restringiu aos estudos. Mas, como sempre digo, na cidade pequena dos anos 80, “a diversão era pouca”. O que que tinha? O passeio na pracinha, a paquera, as festinhas…

 

E festinhas em casa. Quando minha mãe deixava eu sair, meu Deus, era uma festa!

 

Desde essa época, eu tinha um amor platônico, um primo. O sentimento era recíproco, mas resistências da família nos levaram a outras escolhas: ele escolheu outra pessoa e eu escolhi ser mãe.

 

(...) e a minha mãe me chamou porque o rapaz não ia assumir a gravidez (...). Ela disse: quer realizar o seu sonho de ser médica? Esquece essa gravidez. Quer realizar o sonho de ser mãe? Esquece a Medicina”.

 

Hoje eu sou professora. Professora de História. Mas, desde sempre, queria ser médica. Só que hoje eu estou convencida de que não seria, como médica, tão completa, tão vocacionada, tão integral como sou professora. E hoje, também, tenho outros amores: o meu filho, o meu marido, os meus estudantes. Os meus estudantes são os meus amores que se renovam a cada ano. O meu filho me levará ao altar, daqui a pouco, quando eu estiver realizando o meu sonho de casar na igreja - no civil eu já casei com o meu marido há doze anos. E assim como eu fui ao casamento dele, o meu primo estará no meu.

Mas, voltando à questão da Educação, gostaria de dizer que minhas recordações do ensino médio não são boas, decididamente são tristes. Eu tinha, nesse período, quinze para dezesseis anos e um comportamento nada exemplar. Ao contrário, no finalzinho do primeiro ano eu estava correndo o risco de ser expulsa. Mas, sinceramente, não acredito que tal circunstância justifique, nem de longe, a atitude de uma professora de História que, simplesmente, disse que eu não teria capacidade para construir um futuro digno.

No entanto, são inesperados os encontros do destino. Foi justamente um professor de História, em outra escola, que me inspirou a prestar o vestibular para o curso de… História! Isso mesmo. Na Universidade Federal do Acre. E, no momento oportuno, eu dei o troco àquela professora:

 

(...) em 1995, nesta mesma escola, a senhora disse que eu não teria um futuro. E hoje, cara colega, sou professora formada pela Universidade Federal do Acre, aluna do mestrado.

 

O início de minha docência, em 2002, foi, no mínimo, curiosa. Porque eu fazia História e fui ocupar uma vaga de professora de Matemática em uma sala da Universidade Federal do Acre, que utilizava o Telecurso para funcionários que desejavam concluir o ensino médio. Eu era de outra área, não vou dizer que dominasse amplamente o conteúdo, mas eu estudei, me dediquei. E, principalmente, contei com o suporte das próprias teleaulas. Da Universidade fui para o SESI: uma vez mais no Telecurso, uma vez mais em área diferente da minha formação: fui para ser professora de Física. E hoje já são dezesseis anos em sala de aula, dos quais doze no Telecurso, nove no Poronga, como o Telecurso é chamado no Acre.

 

Só aprendi a trabalhar com a metodologia do Telecurso, a pedagogia da presença, que faz uma diferença de 100% na vida do estudante, quando eu entrei no Projeto Poronga.

 

Tenho, assim, a humildade de reconhecer que foi no Poronga - meu sonho sempre foi entrar nesse projeto - que eu me senti verdadeiramente professora, mediadora e educadora. Os anos de Poronga foram anos de entusiasmo pela metodologia, pela prática, pelas dinâmicas, trabalhando na periferia, com turmas difíceis, mas que eu levei a se apaixonarem, também, pelo que se fazia na sala de aula. Eu sempre digo que o meu primeiro ano no Poronga foi de experiência, mas o segundo foi de paixão. Por quê? Porque a metodologia é consistente; é pensada para dar certo e ajudar o estudante; atendê-lo em suas necessidades e dificuldades; falada em sua linguagem. Mas não só por isso: pelas atividades integradoras, pela prática do trabalho em equipe, pela problematização instigadora, pelo conhecimento amplo e interdisciplinar; pelos exemplos pontuais de vidas - escolares e cidadãs - que foram resgatadas pelos que puderam ser trazidos de volta para a sala de aula, pelos que foram atendidos em suas reais necessidades, antes desacreditados pela escola, na ausência de perspectivas.

 

E, por fim, a sensação - mais do que isso, a certeza - de que valeu a pena. Valeu a pena para mim, que usufruí do apoio pedagógico, do planejamento coletivo, da meta alcançada pela construção de conhecimento. Valeu a pena para eles, que aprenderam construindo o próprio saber e na medida de suas necessidades. Eu não estou mais no Poronga, mas costumo levá-lo comigo - ao menos, a sua essência - nos meus novos caminhos, porque é dele que deriva a minha melhor performance de professora, de educadora.

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