Busca avançada



Criar

História

Educação que marca uma vida

História de: Emilly Ganum Areal
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Acreana, Emily Ganum Areal nasceu em Sena Madureira. Povoam sua memória afetiva os avós - portugueses e de origem árabe; as brincadeiras de criança; o pé de azeitona, que era como se fosse seu; as cavalgadas; as festas juninas; os grupos da igreja; os piqueniques e o carro de boi. Casou-se e desempenhou vários papéis: o de esposa, primeira-dama, professora, universitária e militante. Quando foi para Rio Branco, já divorciada, continuou professora de Literatura. Sempre visualizou o ensino numa perspectiva de aprender junto. Com a Metodologia Telessala se realizou amplamente - disso se lembra com saudade e emoção. Confirmou ideais da sua prática social no desempenho da atividade docente. Hoje forma professores na Universidade.

Tags

História completa

Sou acreana de Sena Madureira e nasci em 12 de novembro de 1976. Da infância gostosa que tive, trago a memória afetiva dos meus avós de origem portuguesa e árabe; do “moca”, momento do dia em que a família se reunia em torno da mesa para um chá e para conversar; do pé de azeitona, que nem era meu, era da casa ao lado, mas no qual eu subia com prazer. Lembro também do Jardim de Infância e ainda dos grupos da igreja, movimentos sociais, religiosos; e ainda das festas juninas, arraial, quadrilha; do piquenique para os quais íamos em carro de boi. Lembro até o primeiro ano do ensino médio, nas escolas da minha cidade. Pois o segundo e terceiro anos eu estudei em Rio Branco. Mas concluí mesmo o ensino médio em outra cidade. Nessa época - bem início da adolescência - eu participava muito de gincanas.

 

Sempre ia representar a minha escola em gincana. Eu sempre fui enxerida (...), sou do tipo “não sei mas eu vou”.

 

Outra lembrança forte desse tempo são as cavalhadas, reproduzindo uma tradição medieval com cavalos, lanças, etc. A minha família participava ativamente desse momento cultural no Acre. Em determinado momento, ajudei a recuperar essa expressão como movimento cultural e histórico, quando professora do Poronga - o Telecurso no meu estado.

 

E foi importante, porque a gente identificou muitas coisas das questões ligadas à história, a relação com a Idade Média, o porquê daquilo, por que nós preservávamos isso.

 

Eu casei cedo - quinze anos - com um prefeito de outro município. Nessa cidade, chamada Tarauacá, eu fiz o último ano do ensino médio e me tornei professora de Literatura; naquele momento, a única do lugar. Comecei lá a minha carreira no magistério lecionando no ensino médio. Depois, com o divórcio, vim para Rio Branco e aqui lecionei tanto no ensino médio quanto no fundamental.

 

O fato é que, exceto um período em que estive a serviço do Judiciário, tenho sido professora de Literatura e amando o que faço. E, como professora, realizei o meu sonho na Universidade: sou hoje docente da Universidade Federal do Acre, professora do Programa Nacional de Formação de Professores - PARFOR e também da Secretaria de Educação do estado, atuando na Coordenação de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação. Realizando um trabalho específico de fomentar a Ciência dentro das escolas.

 

Frequentemente eu me indago sobre o significado do Telecurso na minha história com a Educação, que sempre se confundiu com a minha história pessoal. O Telecurso representou o novo também aqui no Acre, a exemplo de outros estados; aqui, com o nome de Poronga. Algo novo que se propunha a fazer diferente.

 

É uma história bonita, a minha trajetória profissional. Ela foi marcada por um movimento novo para a educação no Acre.

 

 

O momento inicial foi, evidentemente, a Formação de Professores. E nele houve um sentimento de ansiedade, expectativa, medo. Vai dar certo? Vai funcionar? E, ao mesmo tempo, a vontade de que o novo se realizasse. E foi nesse momento de formação que eu descobri que poderia, assim como os formadores, fazer também. Foi o momento de encantamento pelo programa, em que situações novas me surpreendiam. Como, por exemplo, não perceber o tempo passar em sala de aula; viver a Educação numa perspectiva de encontrar sentido naquilo que você estuda, naquilo que você ensina, dentro da realidade em que você vive, em que o estudante vive a prática escolar fazendo sentido para ele como pessoa. Esse fazer sentido - o Telecurso e a teleaula me mostraram - é a abordagem do dia a dia. Por exemplo, você vai trabalhar conceitos matemáticos, então, na sala de aula, você vai procurar aplicar esses conceitos ao mundo real - num comércio de tecidos, numa quitanda, e assim por diante.

 

O Telecurso oferece desafios para o professor e, talvez, o maior deles seja você deixar a sua disciplina para transitar por várias disciplinas - a unidocência, por outro lado, nos faz aprender de forma compartilhada com os estudantes. São momentos em que você se realiza como professor, se sente gratificado quando você percebe que conseguiu mediar um processo de verdadeira aprendizagem. Alguém, por seu intermédio, aprende para crescer como pessoa, como profissional e como cidadão.

 

Isso é feito não ao acaso, mas por procedimentos metodológicos, pedagógicos. Tenho orgulho, satisfação de ter participado de tudo isso e também a consciência de que para isto acontecer na minha carreira foi preciso que eu de fato acreditasse. Dessa forma, a importância do Telecurso para mim, como professora, como mediadora na construção do conhecimento, está centrada na mudança que eu consegui promover na minha prática. Alcançar aquele estudante já desacreditado, com déficit de aprendizagem, e despertar nele o que a escola não conseguiu. Mas, para isso, eu também mudei. Mudei na forma de ensinar, na forma de estar em sala de aula, na forma de trabalhar em equipe, na colaboração, na solidariedade. E foi na experiência do Telecurso, na vivência da Metodologia Telessala que pude ver tantos estudantes protagonizando transformações fundamentais em suas vidas.

 

O Telecurso me fez perceber a verdadeira educadora. O papel social que eu desenvolvia na sala de aula era muito maior.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+