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História

A força transformadora do conhecimento

História de: Ronaldo da Boa Morte Conceição
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Natural de Salvador, onde nasceu em 19 de setembro de 1986, Ronaldo Boa Morte Conceição queria ganhar dinheiro e para tanto trabalhou muito, sem se dar conta de que essa obsessão não lhe rendia os frutos esperados. Na Europa, gastou proporcionalmente ao que ganhou; no casamento, de nada valeu a intenção de dar conforto - não deu atenção e a união se esfacelou; nos negócios, faltou a base, a solidez que o conhecimento proporciona e sobreveio a perda dos mesmos. Perdeu o rumo, o desejo de viver, o sentido que há no persistir e até no existir. Reencontrou, no entanto, no estudo, a chama que deixara apagar lá na interrupção do ensino médio. Recuperou, com o apoio do Telecurso, na sala de aula, o gosto por aprender; adquiriu a consciência de que o saber é libertador e transformador. E ao criar um objetivo para a sua vida futura no magistério, no sonho de ser um professor, almeja reproduzir em outras vidas o que o Telecurso fez na sua, no sentido de exteriorizar o que cada um carrega em seu interior - de bom, de força, de vontade de crescer e aprender.

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História completa

Sou soteropolitano. Nasci em Salvador, no dia 19 de setembro de 1986. Tive uma infância feliz? Sim e não. Diria que sim, foi feliz, mas foi marcada pela saudade, pela ausência de mãe. Tive uma avó que me deu carinho, me deu amor, uma mulher extraordinária que criou dez filhos, cinco sobrinhos e três netos. Mas que, no meu caso, eu nunca chamei de mãe porque ela não permitiu, não se achou no direito de ocupar o lugar de minha mãe. Da infância como tal, eu conservo lembranças de brincadeiras na escola ou com minhas irmãs; de futebol, em que eu era uma negação, e das pipas. Adorava ver as pipas lá no alto, aquela sensação de poder dominá-las, e a ideia de liberdade. Chegava a soltar a linha para ver as pessoas correndo atrás.

 

Estudei em escolas de Salvador, São Paulo e, novamente, Salvador, mas decidi largar os estudos no segundo ano do ensino médio: queria trabalhar, ganhar dinheiro. Trabalhar e acumular. Eu era movido a trabalho e dinheiro. Mas não foi só isso que me fez parar: eu também trazia uma insatisfação com o modelo de ensino, aquele da mera transmissão de conhecimentos, em que “o professor é o dono da verdade e o aluno nada sabe”. Além disso, parecia-me que o conjunto de saberes obtidos nada tinha a ver com a dinâmica e as necessidades do dia a dia. Fui trabalhar na lanchonete de minha avó. Até que meu tio enfrentou dificuldades e eu tive que ceder o lugar a ele. Fui para a Espanha, um projeto antigo, com meu pai.

 

Porque eu acho que o ouvir ensina, a gente aprende muito ouvindo, mas conversando, dialogando, trocando ideia, constrói conhecimento.

 

 

Na Espanha, trabalhei na construção civil, em restaurante, e até como flanelinha. Trabalhava demais, quase compulsivamente. Ganhava de um lado, mas gastava de outro. Meu pai resolveu voltar; eu decidi ficar. Só que aí pesou a solidão. Na verdade, eu sempre fui um solitário por escolha, mas é diferente quando a gente tem a família por perto. E pesou, também, o fato de que antes eu trabalhava para acumular; agora, sozinho, eu estava trabalhando para viver. Ou sobreviver. Vivi momentos importantes de reflexão, de introspecção. Ora, afinal eu não estava tão só: eu era fruto de um monte de gente, o que não me deixava tão só. E isso é fácil de entender. Por exemplo, hoje a minha avó já não está comigo, conosco, mas eu sinto a sua presença através do que ela me ensinou. Isso eu não perdi, está comigo a todo instante.

 

Minha avó falava o seguinte: “Meu filho, na vida temos que passar. Se a gente chora, passa; se a gente ri, passa. Então escolha: vai passar rindo ou chorando?

 

 

De qualquer forma, decidi aceitar um convite e ir para a França. Aí a história se repetiu: trabalhava muito, ganhava até mais do que na Espanha, mas, no fundo, era para comer, para viver, enfim. Comecei a me sentir sem identidade, longe do meu país, das minhas raízes. Voltei. E voltei para a lanchonete da minha avó; em seguida, abri o meu próprio estabelecimento. Novamente trabalhei acima do normal, e novamente sem resultados palpáveis - eu só tinha a força de trabalho, não a força do conhecimento. Eu tinha a vontade, mas não tinha a base. A isso juntou-se o vazio, a falta de estímulo, de um sentido, de um objetivo, após o meu divórcio. O resultado foi mais ou menos óbvio: a falência. Perdi o foco, fiquei sem chão, entrei em depressão. Valeu-me muito, nessa época, uma tia que me levou para o Rio, me apoiou, fez com que eu me tratasse. Lembro-me de como parte do meu tratamento consistia em andar, numa tentativa de desanuviar. Foi em minhas andanças que encontrei o Telecurso. Um cartaz apagado que se transformou em uma chama de esperança. Lembrei-me dos apelos dessa minha tia, e da minha avó, para que eu concluísse o ensino médio que interrompera lá atrás. A primeira impressão que tive do Telecurso foi uma coisa assim de acolhimento. Antes mesmo de ser um lugar de ensinar e aprender, para mim, foi um lugar em que me senti recepcionado, valorizado. Em seguida, a surpresa com o método - a professora não jogava o tema para a classe; ela o apresentava motivando cada estudante a comentá-lo. O que cada qual pensava dele, e como o interpretava. Um certo estranhamento também me trouxe aquela experiência porque, no fundo, eu tinha muitas ideias preconcebidas, muitos preconceitos. E ali, no espaço da sala de aula, com a Metodologia Telessala, eu passei a acompanhar novas ideias, novas maneiras de apreciar o mesmo fato. E mais: aprendi que o conteúdo que nos é passado ajusta-se muito a nossa percepção da realidade, aquela realidade que nos envolve. Surpreendiam-me, sobretudo, atividades de socialização em sala de aula. Porém, a maior transformação que me trouxe o Telecurso foi no sentido de repor objetivos, reinstalar perspectivas que já haviam me abandonado.

 

Enfim, eu notava o esforço da professora - Andréia, o nome dela - no sentido de tornar significativo ao estudante o conteúdo apresentado. Eu me lembrei, inclusive, de como no ensino regular a forma de transmitir me parecia “mais do mesmo”. Tanto que é a isso também - mas não exclusivamente - que eu atribuo a minha desistência. Seja como for, no Telecurso, ao invés de desistir, eu tive todo o empenho em permanecer e, mais do que isso, o entusiasmo me levou a não parar naquela conquista quando da conclusão do ensino médio. E até mesmo, uma vez concluído, senti um vazio. Novamente se apoderou de mim uma ausência de sentido, de objetivo, de foco, um sentimento depressivo quanto ao amanhã. Nasceu em mim, naquele momento, a necessidade de buscar o estágio seguinte, o desafio maior: o curso superior. Partilhar o saber de que me apropriei. Fui fazer faculdade - Matemática, à distância - para atender ao chamado de me envolver com o magistério. Queria - e quero - ser professor e, como tal, fazer na vida de outras pessoas, meus estudantes, a mesma diferença que a Metodologia Telessala fez na minha vida. Mais do que ensinar, transformar a vida das pessoas através do saber. Sobretudo um professor dotado das mesmas características que eu vi no Telecurso: com compromisso e dedicado a construir, com os estudantes, o conhecimento. Porque foi desta forma que o Telecurso acendeu em mim a chama que eu pretendo levar para a sala de aula, seja no regular, seja na Educação de Jovens e Adultos.

 

Só quero fazer o que o Telecurso faz: exteriorizar o que já existe no interior do indivíduo. (...) exteriorizar essa força, exteriorizar o saber, exteriorizar a vontade de crescer, (...) a vontade de ser melhor.

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