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História

A descoberta do cosmos no caminho da educação

História de: Robson Alves dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Quando Robson Alves dos Santos, esse recifense nascido no dia primeiro de maio de 1990, assistia na TV ao seu desenho preferido - Cavaleiros do Zodíaco - talvez já estivesse ali se insinuando a vocação que o levaria a querer a Astronomia. Estava quase lá, mas o percurso foi longo e desafiador. Incluiu atalhos porque o seu estado não contempla a disciplina como graduação. Então tornou-se professor de Física. Antes disso, no ensino médio, participou do Travessia, como o Telecurso é chamado em Pernambuco, que muito contribuiu com sua formação educacional, permitindo compensar o tempo perdido com duas repetências. Desse projeto retirou as bases para dar consistência aos seus passos futuros, utilizando a contextualização e o que de mais significativo vivenciou na Metodologia Telessala em sua prática pedagógica como professor. Portanto, mais do que uma solução, o Travessia fez, nos caminhos que escolheu, toda a diferença.

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História completa

Sou do Recife, nasci em 01 de maio de 1990. Meu nome é Robson Alves dos Santos. A lembrança mais remota que tenho da infância é dos meus cinco anos, meu aniversário, comendo bolo, tomando refrigerante e assistindo Os Cavaleiros do Zodíaco na televisão com o meu irmão, que perdi quando ainda éramos crianças. De meus pais eu lembro que a minha mãe, com uma certa rigidez, influenciou decisivamente os meus passos. Meu pai era motorista de ônibus e uma lembrança boa que tenho é de acompanhá-lo no seu trabalho. Das brincadeiras, guardo andar de bicicleta, jogar videogame…

 

Dos primeiros anos escolares, lembro de uma coisa que me marcou profundamente: foi quando a professora explicou o ciclo da vida - nascer, crescer, reproduzir e morrer. Aí compreendi que um dia todos os que eu amava morreriam. Então, eu chorei. Tenho também registros de coisas do cotidiano de quando eu era pequeno. Lembro da casa com uma escadaria enorme; lembro do sacrifício que era para fazer chegar as compras da feira em casa; lembro que ali não passava ônibus, mas existia muita área verde. A escola era próxima da minha casa. Fiz o ensino fundamental II e o ensino médio nessa escola.

 

A referência maior que tenho desse período é o professor Marcos, de Matemática. Guardo até hoje os seus cuidados. Sua atitude compreensiva e apoiadora. Sua orientação sob a forma de opiniões e não críticas. O resgate que promoveu, com carinho e habilidade, em face de algumas dificuldades, alguns descaminhos... Enfim, uma ajuda valiosa em diversas situações.

 

Certa vez, o professor Marcos pediu a minha ajuda para tirar dúvidas de outros estudantes de séries anteriores. Acho que foi o caminho para poder entrar na Educação.(...). Eu comecei a ver a escola de outra forma.

 

Foi inestimável a contribuição desse professor para os meus anos futuros. Com o propósito de ensinar, eu comecei a querer aprender mais. Mas, apesar disso, acabei não focando o suficiente, me perdi um pouco e repeti o nono ano. Foi, digamos assim, um acidente de percurso. Porque o estímulo que recebi do professor Marcos mudou o meu comportamento e eu, durante todo o curso, me mantive responsável e colaborativo, atuando como voluntário na monitoria de informática.

 

Nessa época, como havia a necessidade de ajudar em casa, busquei um trabalho. Foi o que apareceu: entrega de água mineral e gás. Revelou-se, no entanto, algo incompatível com minha constituição física. Foi então que larguei e, ainda que como voluntário, cheguei na monitoria. Hoje eu reflito que atravessei uma fase de muitas dificuldades. Felizmente, tive sempre alguém que me apoiou. O amigão de todas as horas, que me compreendia até nos meus desacertos, o meu professor Marcos, um porto seguro para minhas inquietações. E, paralelamente, a família de um colega suprindo lacunas na condução, no aconselhamento em vista de alguns desafios próprios da adolescência. Como eu disse, perdi o nono ano. Só que, anteriormente, havia perdido também um outro. Então, já eram dois anos de defasagem.

 

Na verdade, o problema era que (...) os professores que eu tive na época (...) não conseguiam mostrar a utilidade do que eles estavam tentando ensinar

 

Um projeto novo surgia na escola: o Travessia, como o Telecurso é chamado em Pernambuco. Entendi que seria adequado para quem, como eu, precisava abreviar os anos de estudo. Ali eu fiz todo o percurso, algo que se iniciava pela identificação com a metodologia, a maneira de trabalhar o conteúdo, em cada disciplina, de forma contextualizada - a sintonia entre o que eu estudava e a realidade que me cercava; o por que e o para que aprender. Do Travessia eu guardo, além da metodologia, as atividades - do Memorial até as avaliações, que incluíam debates, trabalhos em equipe, projetos complementares, etc.

 

No Travessia o meu futuro foi se delineando. Eu tive a oportunidade de participar do Ciência Jovem e descobrir a Astronomia. Não tive dúvidas quanto à escolha, mas enfrentei bastante dificuldade para chegar lá. Pernambuco não dispõe de curso de graduação nessa área e o atalho então é um pouco complexo: Física e a especialização em Astrofísica. E assim eu fui me definindo: Física como área de graduação, Astronomia como vocação, estágio no Espaço Ciência e professor do ensino fundamental II.

 

Como estudante do Travessia eu tive a resposta que hoje, na docência, procuro passar adiante. Uma contribuição aos questionamentos de meus estudantes, porque sei que eles, tanto quanto eu, se angustiam com a possibilidade de estarem estudando alguma coisa que não tenha utilidade na prática, no dia a dia. E foi isso que eu, basicamente, carreguei comigo do Travessia para a minha sala de aula, enquanto professor.

 

Mas no curso da minha vida acadêmica não havia como eu sair do estado para fazer o mestrado. Felizmente, sempre surgem alternativas: ingressei num programa do Departamento de Energia Nuclear da Federal de Pernambuco. Hoje estou no primeiro ano do doutorado - Tecnologia Nuclear. Mesmo aprovado na seleção, no ano anterior, fiz a opção de aguardar mais seis meses para dar chance a dois colegas.

 

(...) trabalhei no mestrado com dosimetria e instrumentalização nuclear e agora eu trabalho com radiosótopos aplicados à agricultura e ao meio ambiente.

 

Nesse meio tempo, Catarine, uma colega lá do Espaço Ciência, monitora da área de Biologia - tanto quanto eu era da área de Física - entrou na minha vida e hoje é parte dela, como minha esposa. O curioso é que, de início, havia um total e inexplicável estranhamento entre nós. Fui lá, quebrei o gelo e um livro - O Pequeno Príncipe - fez o resto.

E hoje é bem verdade que eu ainda não estou onde queria estar, mas o fato é que:

 

Eu posso olhar para trás e dizer que, mesmo sem imaginar, eu sou o homem que aquela criança de cinco anos queria ser.

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