Busca avançada



Criar

História

A história de quem não ficou no caminho

História de: Edjane Maria dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

O que Edjane Maria dos Santos, pernambucana de Vitória de Santo Antão, apresenta é uma história de vida e de determinação. Uma trajetória que só foi possível, segundo ela, a partir do seu encontro com o Travessia, como o Telecurso é chamado em Pernambuco. E assim reescreveu a sua história de estudos interrompidos para uma caminhada vitoriosa. Concluiu o ensino médio, fez o Enem, ingressou na faculdade, realizou duas pós-graduações e tornou-se professora do Travessia. Ocupa hoje o cargo de supervisora. Edjane sabia, quando concluiu o ensino médio, que aquele passo era apenas o começo.

Tags

História completa

Meu nome é Edjane Maria dos Santos, nascida em Vitória de Santo Antão, Pernambuco. As lembranças que tenho da infância: minha mãe sempre trabalhando - professora, mas não exercia, era da Saúde; meu pai também professor, também não exercia - tinha uma profissão que o obrigava a viajar muito. Uma lembrança, com muita saudade, está relacionada à perda de minha irmã, com apenas dez anos.

 

Éramos seis irmãos muito unidos. Só que, em dado momento, o mais velho foi trabalhar e os outros dois saíram para a Marinha. Lembro, ainda focalizando a infância, que eu brincava de professora com a minha mãe: ora ela ensinava, ora eu ensinava. Lembro, também, da minha primeira escola - eu e meus irmãos, a gente estudava bem perto do lugar onde minha mãe trabalhava. Uma escola muito bonita - e era muito grande, parecia até um sítio.

 

Então foi assim: a vinda da gente para o Recife, na tentativa de ajudar na superação da perda da minha irmã, escola nova, tudo novo. Mas nós gostamos mesmo foi quando voltamos para Vitória de Santo Antão. Até mesmo em termos de escola, que na do Recife tudo parecia muito agitado - muitos estudantes, talvez. Eu sei que tinha uns doze, treze anos. Aos dezesseis, o primeiro emprego, porque eu já queria diminuir a dependência econômica de minha família. Só que, em razão do cansaço, comecei a faltar às aulas. Minha mãe reclamava e dizia que aquilo não ia dar certo, que eu ainda ia sentir falta do estudo - e como eu senti!

 

Painho falava: “Deixa, para ela ver como é a vida”.

 

Foi assim: larguei o emprego e fui estudar numa escola técnica e, pela distância, interrompi e voltei para o ensino médio. Uma escola, depois outra - aí fui trabalhar numa padaria, onde conheci meu esposo. Casei, tive filhos e o meu marido não permitiu que eu retornasse - nem para o trabalho, nem para o estudo, que eu havia abandonado quando engravidei. E minha mãe sempre dizia: “Vá estudar, porque amanhã você vai precisar”. Dito e feito. Quando tentei voltar ao mercado de trabalho: “Você tem ensino médio? Não? Então você precisa terminar o ensino médio”. Mas persisti e com o tempo eu consegui: tanto o emprego, como terminar o ensino médio. O emprego, nesse momento, foi de serviços gerais, entrando às seis da manhã e saindo às cinco da tarde. Ou seja, acordando às quatro e meia, deixando o café pronto para os dois filhos pequenos… Não foi fácil. E o trabalho pesado, pesado. Porque era Colégio de Aplicação de manhã, Faculdade à noite, então tinha que deixar tudo arrumado, limpo… E o estudo, não conseguindo vaga de imediato no ensino médio regular, cheguei à Escola Antônio Dias Cardoso e fui fazer o Travessia, como o Telecurso é chamado em Pernambuco. Bom, ali começou a mudar a minha história.

 

Minha mãe mais uma vez duvidou: foi o momento de reconhecer que ela estava certa sobre o quanto a falta do estudo me traria dificuldades. Não desisti. Fiz o ensino médio - a formatura foi no auditório da faculdade que eu trabalhava. Lembrei das minhas próprias palavras: “O Travessia vai mudar a minha vida, porque eu não vou deixar mais a escola, e vou querer muito mais”. De fato, aquela etapa que eu venci foi só o começo. Ou o recomeço. Porque o Travessia marcou muito, por diversas razões, mas o que eu mais aprendi foi a importância de recomeçar. No Travessia me reconheci capaz naquilo que eu era melhor. Aprendi a trabalhar em grupo; descobri o verdadeiro significado de ser professor e a dar valor ao estudo. 

 

De fato aprendi, como estudante e também como professora. E ali estão escritas todas as minhas histórias, contada toda a minha luta. Como num memorial onde se registram as vivências, o dia a dia, as dificuldades e as conquistas.

 

Eu saía cinco horas da manhã, chegava dez e meia da noite… Eu só tinha o domingo em casa (...) e cheguei até aqui (...) eu escolhi ser professora, mas você pode escolher o que quiser ser.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+