Busca avançada



Criar

História

Redescobrindo-se educadora

História de: Alice Barros da Costa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/07/2021

Sinopse

Alice Barros da Costa nasceu em Belém, em 05 de fevereiro de 1974. Filha de um comerciante e de uma professora, criou-se -ao lado dos irmãos - em Tomé-Açu, interior do Pará. De lá saiu para Santa Isabel, região metropolitana de Belém; veio fazer o ensino médio. O fundamental fez em Tomé-Açu, os quatro primeiros anos na escola onde sua mãe era diretora. Fez Geografia por escolha, pós-graduação, trabalhou numa Associação de Estudantes, foi bolsista e ingressou para valer no magistério: professora no estado, no município, em escolas particulares também. Afastou-se da docência por curto período e, quando voltou, realizou-se na unidocência, na metodologia humana Telessala, na experiência do Telecurso, no envolvimento total com suas turmas, seus estudantes, que passaram a fazer parte de sua vida. E vice-versa.

Tags

História completa

Sou paraense de Belém, nascida em 05 de fevereiro de 1974. Mas sou mesmo é filha de Tomé-Açu, interior do Pará. Onde me criei e só saí para fazer o ensino médio. Meu nome é Alice. Alice Barros da Costa. Filha do comerciante Gerci e da professora Nazaré, irmã de três. Três com quem eu brinquei no quintal, subi em árvores. E eu ia, aos domingos, para o sítio da avó, de caminhão - meu pai tinha um caminhão naquela época.

Criança, eu queria ser pediatra. Acabei escolhendo Geografia. Minha mãe era professora de Geografia, mas a influência não veio dela não, foi de uma professora do cursinho, e também porque eu me identifiquei com a disciplina. Guardo lembranças bem nítidas das escolas que frequentei. De ter estudado na escola onde minha mãe era diretora e também da professora ser minha tia.

 

Uma merenda que eu amo até hoje - macarrão com sardinha. Quando era macarrão com sardinha era uma festa.

 

Lembro, também, de professores que me marcaram na quinta a oitava séries, principalmente. Lembro de como eu me integrei facilmente quando fui para Belém, para o ensino médio. Curiosamente, eu estudei na mesma escola onde minha mãe havia estudado e, na verdade, eu fui, aos poucos, conquistando o meu espaço. Com a participação no vôlei, na banda... Aí fiz o cursinho, o vestibular… e não passei. Só da segunda vez. São desse período os primeiros namoros, os primeiros amores, as festas de aparelhagem e recordações - boas umas, tristes outras - dos tempos em que morei longe de meus pais e irmãos. Muitas saudades, alguma dificuldade também. É a vida. Fui em frente.

 

Ainda estudante, comecei a trabalhar. Primeiro numa Associação de estudantes - meio salário, meio expediente - depois como bolsista. Aliás, fiquei como bolsista até na pós-graduação, em projetos - seis anos no total - da Universidade Federal do Pará. Quando eu terminei as pós-graduações fui lecionar. Por coincidência, na mesma escola onde minha mãe havia estudado e onde eu também, mais tarde, estudei. Lembro que as primeiras turmas que peguei foram turmas pequenas - quinze, vinte alunos - porém, iam desde os pequenininhos até os de oitava série. Só que, entre 2000 e 2001 houve um problema lá, de troca de prefeito, atraso no pagamento das professoras e eu participei dos protestos, das reivindicações, fiquei muito exposta, por circunstâncias, e me senti claramente perseguida. Então eu simplesmente abandonei tudo, larguei tudo, tudo, e fui trabalhar com meu pai, em Tomé-Açu. Mas durou pouco: em 2003 eu estava de volta como efetiva, por meio do concurso que prestei para o estado.

 

Afinal, eu tinha - e tenho - uma vocação. E fiquei todo esse tempo na sala de aula com Geografia, fazendo meus projetos, seminários, atividades, sempre tentando dinamizar com os meus estudantes. Mas tudo ainda era meio repetitivo e eu cansei da mesmice das minhas próprias aulas - eu entrava e repetia, nos quatro primeiros anos, a mesma coisa; aí entrava nos três segundos anos, repetia; aí entrava nos dois terceiros e também repetia. Quando, em 2014, eu descobri o Projeto Mundiar, uma parceria entre a Secretaria de Educação e a Fundação Roberto Marinho, o Telecurso, eu já tinha onze anos de estado. Ou, se considerados os anos todos de sala de aula, quinze longos anos. Diga-se, de passagem, que na verdade o que encontrei, meio ao acaso, me transformou: a Metodologia Telessala. Não tive dúvidas: me inscrevi. Mas aí eu percebi que era para lecionar em Belém. Novamente, não hesitei: inscrevi o meu companheiro, Túlio, meu eterno companheiro, com quem tenho dois filhos e uma história mesmo de alma, há vinte e três anos.

 

Aí, olha o que passou na minha cabeça? Que a gente ia filmar, não é? Para mim, eu ia filmar para dar aula de Geografia, entendeu?

 

E até chegar a primeira formação de professores, muitas dúvidas, muita expectativa. Como é essa formação? Que metodologia é essa? O que isso vai trazer para gente?” Ah, mas foi maravilhoso! Nós fomos ‘mundiados’, ou seja, encantados, todos nós professores. 

 

E aí foi uma perfeita identificação com a metodologia, sobretudo humana. Com as dinâmicas, com a rotina diferenciada dentro da sala de aula. Era a Metodologia Telessala, a formação para um programa bem estruturado, bem construído, bem coordenado. Os eixos temáticos, as equipes, os resultados que a gente vê acontecer todos os dias, mesmo com a diversidade que há no grupo de estudantes na leitura, na escrita, no raciocínio. E, além disso, eu ia, cada vez mais, experimentando as dinâmicas, compreendendo a formação das equipes, realizando os projetos; sobretudo vivendo as histórias, as situações que vão te envolvendo, e aos teus estudantes. De tal forma que um passa a fazer parte da vida do outro. Como professora, o crescimento que o Telecurso propicia é o quanto me basta. Até isso ele me ensinou.

 

A metodologia Telessala, eu a vejo muito humana, muito cuidadosa(...)

 

As muitas histórias que hoje eu tenho para contar atestam o acerto do eixo condutor do Telecurso, “Por uma Educação para o desenvolvimento do Ser”, resgatando estudantes com poucas perspectivas escolares. Estudantes que mal liam, mal escreviam, e eram estudantes de primeiro ano do ensino médio! Estudantes alheios ao processo de aprendizagem, dos conteúdos, das disciplinas, - notadamente, a Matemática. Então, são histórias de superação da parte deles e de revigoração da minha parte. Mas, revigorar o quê? A minha metodologia. Por isso eu digo que foi um verdadeiro renascimento para mim o Telecurso, essa experiência exitosa que vou vivendo.

 

E, de repente, eu posso até dar aula na Universidade, não é? Por que a gente não pode sonhar? Sonhar não custa nada, não é?

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+