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História de: Cláudia Andrade Crispi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Cláudia Andrade Crispi, nascida em três de setembro de 1950, em Ubá, Minas Gerais, inicia sua história de vida contando um pouco da história de sua família. Descendente de italianos e brasileiros narra da trajetória de seu avô italiano que se estabeleceu em Minas Gerais. Recorda-se com carinho de sua infância, da família grande sempre muito unida e das macarronadas aos finais de semana casa de sua avó. Cláudia adorava brincar de correr, queimada, pique e pular corda e até hoje se lembra da boneca de louça que ganhou no Natal, mas era tão frágil que não podia brincar o ano inteiro. Com muita facilidade para falar inglês, Cláudia acabou seguindo a carreira de professora e empresária de escolas de língua. É responsável pelo IBEU de Ubá, grande parceiro do AFS na região. Por muitos anos foi a única voluntária AFS responsável pelos processos na cidade. É casada, adora viajar e a carreira de voluntária no AFS é uma de suas grandes paixões.

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História completa

Meu nome é Cláudia Andrade Crispi. Sou descendente de italianos e de brasileiros, com certeza. Nasci em Ubá, Minas Gerais, em três de setembro de 1950. Meu pai é Francisco Crispi Neto e minha mãe Nicolina Cândida de Andrade Crispi. Meu avô, Genaro Crispi, veio com os pais na época da guerra. Ele era um bebê ainda. Instalaram-se na região, em Minas Gerais, e começaram a vida ali como sapateiros, depois como produtores de macarrão, de uma fábrica de macarrão. Depois começaram a mexer com móveis, depois fumo e foi crescendo a família ali naquela região de Ubá.

A gente tinha um terreno, não perto da casa, colado na casa, que era como se fosse o zoológico da cidade. Nós vivíamos quase os sete irmãos, os seis irmãos mais velhos, nós passamos a nossa infância no meio desses bichos aí. Tinha até veado. Na época podia ter. E esses irmãos foram criados muito assim, no ar livre, junto com a natureza, todo mundo gostava muito de bicho, adorava ficar naquele lugar, porque pra gente era uma farra só. Eu acho que minha mãe deu um pouco de sorte porque primeiro nasceram as três moças, e depois nasceram os quatro rapazes e as três moças ajudaram ela a criar os quatro rapazes

Todos os domingos a gente ia pra casa da vó porque tinha macarronada. A gente gostava de comer a macarronada. E a gente gostava muito de entrar na dispensa dela que era cheia de coisas, dos quitutes que ela fazia, pra gente roubar os quitutes, mas eu acho que ela deixava ali de propósito pra gente. Eu lembro muito da casa da minha vó, que a gente ia, e as brincadeiras daquele tempo eram na rua, uma cidade pacata, interior, sem calçamento, sem movimento, carro na cidade devia ter uns cinco ou seis.

Quando a faculdade abriu [na cidade de Ubá] eu fui fazer Letras, que eu já gostava muito de inglês, eu já estudava no colégio onde eu estudei. Estudei francês a vida inteira, mas nos últimos anos, no Ensino Médio eu comecei a estudar inglês e eu tive uma professora que falou comigo assim: “Ah, você tem muito jeito pra inglês, eu acho que você devia ir pro IBEU”. Mas eu não podia pagar o IBEU [Instituto Brasil Estados Unidos]. Depois com muito custo eu fiquei atormentando o meu pai, que o filho atormenta o pai até ele deixar, aí meu pai me colocou no IBEU. E foi aí que eu fui pra faculdade, quando eu fui pra faculdade eu já tinha alguma coisa de inglês, já tinha bem uma base boa, e fiz a faculdade, continuei dando aula e gostei de dar aula.

Minha trajetória começou assim: fui pra escola, fui monitora, fiquei professora, depois eu abri essa escola. Eu estava trabalhando na minha escola, na escola pública e no IBEU. Era um corre-corre, sempre minha vida foi uma doidera, de manhã, de tarde, de noite e de madrugada. E chegou uma época que o senhor Ulisses faleceu [dono responsável pelo IBEU]. Ele falou que ele ia morrer, mas que ele queria ter certeza que a gente ia tomar conta daquilo ali. Eu fiquei apavorada com aquilo, eu falei: “Mas eu não tenho...”. Sempre a gente achando que nunca pode. Eu falei: “Como que eu vou fazer pra tomar conta de uma instituição assim sem ter um preparo, uma coisa assim?”. E a outra moça que ele convidou também já era secretária lá há muitos anos, ela conhecia muito mais da instituição do que eu, mas ela não sabia inglês. Ela falou comigo assim: “Sozinha eu não fico porque como é que eu vou tomar conta de uma escola de inglês se eu não sei inglês?”. Ela falou: “Cláudia, se você topar eu fico junto com você”. Falei: “Então tá. Vamos tocar pra frente”. E foi assim a parceria durante muitos anos. Depois ela faleceu também, eu tive a oportunidade de ampliar a escola, era a única escola da cidade. Hoje ela tem 53 anos, é uma escola bem antiga, bem respeitada.

Eu acho que é muito difícil você ser um representante de uma instituição como o AFS se você não tiver ligada em alguma outra instituição no sentido, por exemplo, a gente tem o IBEU, na minha cidade foi ali que nasceu, junto com o IBEU de Ubá que nasceu o AFS. Facilita porque nós temos muitos jovens, eu sou a professora, a gente está ligado à língua estrangeira, a gente está ligada ao jovem, todo mundo conhece a gente.

Durante 15 anos, vamos colocar 14 anos, eu fui a única voluntária desse comitê [Comitê de Ubá]. A pessoa fala assim, pra área de recebimento fazia isso, pra área de envio fazia isso, pra área de coordenação isso, pra área de conselheiro isso. Beleza. Tudo eu. Agora que eu tenho alguns voluntários, os jovens também que estão começando e estão gostando. Eu sou tipo assim, 100% envolvida com o processo todo e eu acho que tem que ser uma coisa assim, a gente tem alunos, tem funcionários e tudo, mas a pessoa pra ser voluntária tem que ser voluntária de coração. Não pode ser voluntária só por que: “Ah, eu trabalho aqui, vou ser voluntário”. Não. Tem que ser uma coisa muito livre.

Eu falo [para o meu esposo] que ele é melhor do que eu, eu sou mais agitada, mais nervosa, não sei se é pelo meu lado italiano, meio estovada com as coisas, e ele é muito tranquilo, ajuda muito. Hoje ele está aposentado, ele também gosta muito de viajar, que isso é muito bom, a gente combina muito nisso. Tranquilo. E hoje ele é voluntário porque ele me ajuda, ele fala: “Eu não sou voluntário.” “Você é voluntário, que só de me tolerar tomando conta de AFS já é um voluntariado”. Ele fala: “Eu já sei que eu não estou em primeiro lugar. Primeiro o AFS. Não. Primeiro é o IBEU, o segundo o AFS, eu já estou lá no terceiro lugar.” “Tá bom, mas você tá lá”. Ele é muito paciente, o Bernardo.

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