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História

Eu sou daqueles que fez do seu dever o seu prazer

História de: Lilian
Autor: Lilian
Publicado em: 06/06/2021

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História completa

P/2 – Boa tarde, senhor Ronaldo. Eu gostaria de começar pedindo que o senhor nos dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento.

R – Ronaldo Cevidanes Machado, Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo.

P/2 – Conta para a gente o nome dos seus pais e dos seus avós.

R – Bem, meus pais: Manoel Nunes Machado e Emirene Cevidanes Machado. Por parte da mãe: meu avô, Generoso Cevidanes e minha avó, Conceição Mendes, os dois da Espanha. Por parte do meu pai: minha avó era Catharina, do Norte da Itália e meu avô da cidade de Braga, em Portugal.

P/2 – Agora conta para a gente o que seus pais faziam, o que seus avós faziam.

R – Os meus avós... muito perdido no tempo, eram comerciantes, tanto um quanto o outro. Um deles, fazendeiro, mais fazendeiro do que comerciante. Meu pai foi fazendeiro e teve negócios imobiliários no Rio de Janeiro.

P/2 – E os seus avós por parte de mãe?

R – Esses são por parte de mãe, eram comerciantes, né? E foram comerciantes a vida toda.

P/2 – O senhor tem irmãos?

R – Não, sou filho único.

P/2 – Filho único. Quando o senhor era pequeno, morava onde?

R – Olha, eu morei até os nove anos no Espírito Santo e a partir disso viemos morar no Rio de Janeiro.

P/2 – Descreve para a gente como era a sua infância lá no Espírito Santo. R – Uma infância num Brasil diferente, com a tranqüilidade muito diferente da de hoje, né? O que você admirava não era o modelo novo do carro, eram os cavalos que andavam melhor ou pior [risos], na cidade do interior.

P/2 – E como é que era a casa que o senhor morava lá?

R – Era a casa onde eu nasci, onde o meu pai nasceu, na beira-rio. Desde cedo eu tive um contato, ainda que doce. Ali foram as minhas primeiras brincadeiras, na margem do Itapemirim. Depois nasceu lá também o Rubem Braga, grande colunista, o Roberto Carlos, esse cantor que está aí até hoje, e muitos outros que se distinguiram no mundo artístico aqui no Rio de Janeiro.

P/1 – Conta um pouquinho mais como era essa cachoeira.

R – Olha, era uma época que tinha muita posição [risos]. Uma cidade muito típica do interior daquela época, onde o rádio começava, onde os fazendeiros comumente ligavam o rádio, porque era com bateria nas fazendas, para ver a cotação do café. Esse era o mundo, o centro da atenção era a arroba da carne. Era uma cidade, naquela época, ainda muito ligada ao campo. Depois não, a indústria chegou lá e o comércio também. Mas, preponderantemente, na ocasião, era uma cidade ligada ao que o campo produzia.

P/2 – Diz para a gente, quais eram as suas brincadeiras favoritas?

R – Olha, brincadeiras favoritas eram à beira do rio, a bola, como sempre, né? A gente brincava muito disso, correr atrás de passarinho, colher fruta silvestre, era uma infância que hoje poucos têm, não é, porque você tinha um outro timing, outro tipo de vida. É interessante você ter vivido essas duas experiências porque, hoje em dia, é muito difícil encontrar essa realidade e tem essa experiência que vem de tão longe.

P/2 – Aí o senhor morou até os nove anos?

R – Até os nove anos.

P/2 – Depois foi para onde?

R – Aos nove anos, o meu pai já era dono de um curtume em Vitória. Depois, nós viemos para o Rio, para Copacabana. Nós morávamos ali na época em que na Avenida Copacabana predominavam as casas ainda. Algumas já como pensão, mas muito longe dos edifícios. Nós morávamos num dos primeiros edifícios construídos na Avenida Copacabana, onde eram os bondes que passavam, né?

P/1 – Qual era o nome do edifício?

R – Era o edifício na esquina, em frente ao [Cine] Roxy, em frente da esquina da [Rua] Bolívar com a Avenida Copacabana.

P/2 – E como era a infância lá, qual a principal diferença?

R – A infância era a praia. Eu estudava no Mendes e Souza, era um colégio muito bom, de renome. Eu lembro, como uma coisa muito marcante: eu, vindo do interior, havia feito o terceiro primário lá, e pela primeira vez eu adentrei uma turma onde havia aula de inglês, coisa que eu desconhecia totalmente. E marcou muito, a professora perguntava: “What is your name?” e eu não sabia. O grupo todo entendeu que eu vivia em outro mundo, né [risos]? E aquilo... eu senti um profundo desgaste no primeiro contato com o grupo porque todos, evidentemente, sabiam coisas elementares, menos eu.

P/2 – O senhor teve educação religiosa, educação política?

R – Religiosa, sim, em princípio, porque a família era católica, entre aspas. Meus avós eram kardecistas, numa época onde eles apanhavam os pobres e mendigos da cidade e levavam para casa, abrigavam suas filhas e filhos. Meu pai também ia cuidar desses mendigos, né? Eles eram kardecistas, mas com esse sincretismo religioso, nunca deixaram de ir à igreja também. Eu fui criado na igreja católica e permaneço até hoje na igreja católica.

P/1 – Esse lado, de pegar os mendigos, o senhor chegou a acompanhar ou era mais...

R – Não, eu não tenho lembrança disso não. Mas era uma rotina. Meus avós também foram fundadores da maçonaria, a família era muito ligada à maçonaria. O único que não foi nem batizado na maçonaria fui eu. Meus primos todos tiveram lá um cerimonial que até hoje eu desconheço. Meu pai também era maçom e isso causava conflito naquela época, porque a bandeira... estamos falando do Brasil na década de 30, portanto de [Getúlio] Vargas, portanto de 35, a revolução entre aspas, comunista. Os maçons eram muito acusados de comunistas, simplesmente porque a bandeira era vermelha também, a bandeira da maçonaria era vermelha [risos]. Isso era um ônus terrível, era a caça às bruxas naquela época. Então, eu freqüentava a igreja sem nenhum trauma. E nunca fui obrigado pelo meu pai a ir para a maçonaria. Uma coisa naturalmente espontânea a minha formação religiosa.

P/2 – Nunca se interessou em participar da maçonaria?

R – Não. Apesar de ter bons sinais da maçonaria, eu nunca vi nenhum dos meus parentes fazer nada que não fosse no sentido de ajudar o grupo, ou pessoas mas, ainda assim, talvez por falta de um incentivo direto, eu não procurei a maçonaria. Posteriormente eu fui muitas vezes convidado, fui convidado numa fase em que as minhas atribuições já eram... Primeiro, a minha vida é de marinheiro, passei 40 anos, praticamente, no mar, o que inviabilizava [risos] ter qualquer tipo de outra vivência. O tempo para a família já era tão restrito, que se eu ainda fosse, no pouco tempo em terra, dividir com qualquer organização, certamente receberia reclamações. Mas, posteriormente, alguns amigos: “Vamos, vamos”, mas aí com toda uma obrigatoriedade, freqüência e acompanhamento. Então, eu fiz a opção de não entrar, não dá nem mais para fazer a carreira até chegar ao grau 33 lá dentro [risos].

P/2 – E mudando um pouco de assunto, como é que o senhor continuou os seus estudos aqui no Rio? O senhor estudou em que escola?

R – É, eu continuei... você me fez uma pergunta sobre formação política, né? Então, na época em que o Rio de Janeiro... A minha vocação sempre foi o mar, mas meus pais, talvez por eu ser filho único, ser de origem rural, fazendeiro, era muito comum que direcionassem seus filhos, sobretudo quando era um só, a uma carreira liberal. E assim foi feito, eu fui estudar Direito na época em que nós só tínhamos a [Faculdade] Nacional [de Direito] e a [Universidade do] Distrito Federal tornou-se faculdade. Em Niterói também tinha uma, mas na época, não hoje, não era bem reconhecida. Eu fiz vestibular, passei, cheguei a fazer dois anos. Nessa ocasião, por amizades do meu pai, eu fui trabalhar num dos institutos, o Iapetec [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Estivadores e Transportes de Cargas]. Mas a minha vocação, era latente a vida de marinheiro, eu decidi largar a posição, já era fiscal lá dentro, já era direcionado para a área jurídica. Conversei com ele, nós tínhamos um excelente diálogo, eu disse que não era aquilo que eu queria. Então, quando eu passei para o terceiro ano, eu cancelei a matrícula e fui fazer o vestibular para ir para o mar, né?

P/1 – Perdão, só para a gente não se adiantar um pouquinho, só para a gente recuperar um pouco mais dessa sua juventude… Por esse período do vestibular, conta um pouco como é que foi a sua juventude, como é que eram as diversões, os seus amigos...

R – A diversão, na época, se alguém tivesse algum vício, seria que beberia mais do que fumava [risos]. Não havia essa fase de droga, né, então era uma coisa mais tranquila, mas por falta de referência, isso também preocupava os pais. Alguém que bebesse... se a moça bebesse, se a moça fumasse em público, isso era terrível. Bem, nós fomos criados dentro dessa estrutura, nós tínhamos um grupo, eu morava em Copacabana...

P/1 – Seus amigos eram de onde, da escola?

R – Da escola. Agora, já na faculdade, alguns jornalistas também. O Tinhorão, que se especializou depois em música brasileira, era um deles. Para lembrar a área de vocês, o Rubem Braga, mais velho, também. Então, nós freqüentávamos os bailes de fim de ano, ainda que fosse uma formatura de ginásio, era um momento importante, né?

P/1 – Era um grande momento.

R – Era um grande momento. Era no Fluminense. Então, o baile no Fluminense era uma coisa muito séria [risos]. Eu praticava... fui nadador do Fluminense, também fui nadador do Flamengo, praticava iatismo no Iate Clube. Não tinha o barco, mas saía com alguém que tinha, participava das regatas, praticava. Há tanto tempo atrás, não era montanhismo, era alpinismo ainda, naquela data [risos], você praticava alpinismo aqui no Brasil.

P/1 – E como é que era o alpinismo?

R – O alpinismo era extremamente rudimentar, porque não tinha todos os equipamentos de segurança de hoje, apenas a disposição e saúde [risos] para virar lagartixa e subir nas pedras sem a segurança de hoje quando você pratica.

P/1 – Onde é que vocês subiam?

R – Na Pedra da Gávea… Nós íamos para o interior, na área de Teresópolis, no Espírito Santo também e tivemos até acidentes fatais com pessoas. Nós subimos numa pedra, eles subiram na outra, e combinamos que à noite cada um iria acender sua fogueira. Não tinha cabana, não tinha nada, se cobria como podia, e comumente, ainda que ninguém bebesse, levava uma garrafa de bebida para esquentar. Às vezes o frio era grande, aí você bebia para suportar a noite lá em cima. Era muito rudimentar, era indispensável muita disposição para fazer isso.

P/2 – E o senhor fez isso durante quanto tempo?

R – Ah, eu fiz durante bastante tempo até... talvez até os 20 anos eu praticava isso, ou um pouco mais até.

P/1 – E aí, o senhor tinha várias atividades, eram vários grupos. Como é que era?

R – Olha, é claro, muitas pessoas que gostavam de ir à festinhas não tinham disposição de subir. Eu cheguei a subir o Pão de Açúcar por um dos lados mais apavorantes, eu não estou bem lembrado qual era, uma chaminé daquelas, mas não era... Outros gostavam de barco, eu gostava muito, saía, participava de regata, o meu barco predileto era a classe Star, os veleiros oceânicos, ainda sem conforto nenhum, mas dão uma segurança muito grande, nós praticávamos o esporte nele, né? Então, os grupos eram diferentes.

P/1 – Mas o senhor saía com todos, ou tinha algum...?

R – Não, saía às vezes com um, com outro, o pessoal da vela era diferente do pessoal da montanha, entendeu, ou dos Alpes, vamos lembrar da época, né [risos]? Como também a turminha, hoje se chama “agito” também, nem sempre a turma tinha disposição para praticar qualquer tipo de esporte. Eu felizmente passei...

P/1 – O senhor circulava por tudo isso?

R – Eu circulava por tudo isso, procurava uma interação entre tudo isso, né?

P/2 – E como é que eram as paqueras naquela época?

R – Olha, as paqueras eram uma coisa muito difícil, né, não existiam as facilidades de hoje, absolutamente não existiam. No local... a pessoa tinha um local, era uma coisa fantástica. Como o meu pai pagava o apartamento para mim, como fazendeiro que ele era, eu era muito conceituado no grupo [risos]. E às vezes, a minha briga é que eu tinha que lembrar que a última sessão de cinema era às dez horas da noite e que à meia-noite eu tinha que ocupar a minha casa. Então, por aí, vocês concluam o resto [risos]. Sobre outro aspecto também, é muito interessante se nós... desculpe, às vezes, as divagações. Quanto à moral, ainda que entre aspas, era mais restrita. As doenças que poderiam surgir nessa época, nenhuma delas tinha as consequências do que veio surgir a partir da liberação da década de 1960. Então, o que foi liberado por um lado, levantou uma ameaça sobre outro. Mesma coisa: a poliomielite foi vencida, mas hoje você vê muito mais gente em cadeira de rodas. A civilização trouxe outro doente que é resultado de bala e acidentes. Então, uma coisa é essa visão que você tem, lembrar de épocas... o que era, era muito difícil. Era tão difícil que em certos aspectos ou era cadeia ou casamento, né [risos]?

P/2 – E como é que foi o seu primeiro namoro, o senhor lembra da sua primeira namorada?

R – Olha, eu talvez tenha sido prematuro, porque eu ainda estava no maternal – não se usava esse nome – e já tinha uma namoradinha. Então, a história é muito longa [risos].

P/1 – Foi muito namorador?

R – Olha, depois você leva um... uma das coisas que a vida marinheira traz é um certo carimbo, que o marinheiro é muito namorador, né, são...

P/1- Uma namorada em cada porto...

R – É, essas coisas que não são verdadeiras, pelo contrário, o marinheiro não deixa... mesmo quando ele não percebe, ele tem uma certa carência de uma estabilidade, de um local com uma família constituída. Então, ele está sempre mantendo essa família e voltando para essa família. Além do mais, com o passar do tempo, o exercício da função marinheira passou a requerer cada vez mais, um desenvolvimento muito grande em certas ciências específicas, ou seja, passou a ser exigente em tudo o que você faz. Então, aquele história do marinheiro em cada porto... Primeiro, os navios hoje ficam muito pouco no porto, né, eles operam de uma maneira muito rápida...

P/2 – Não dá nem tempo!

R – Operando, então, muitos nem baixam em terra, você não tem nem tempo de se preocupar com... isso nunca é uma preocupação mas, eu diria, com esse aspecto da vida [risos].

P/2 – E agora, mudando um pouco de assunto... Na sua família tinha uma expectativa, que o senhor seguisse alguma carreira, alguém queria que o senhor...

R – Os meus pais, como eu fiz referência, gostariam que eu tivesse sido um doutor, qualquer ramo da carreira liberal e daí eu ter passado pela faculdade de direito, numa época... Nessa época, eu nunca fui filiado a nenhum partido, salvo na década de 1940, quando eu fazia faculdade, eu me filiei, como já era esperado, ao Partido Socialista Brasileiro porque...

P/1 – Por livre e espontânea vontade?

R – Por livre e espontânea vontade, porque eu achava, e continuo achando sempre oportuna, qualquer coisa que procure uma igualdade na distribuição da riqueza. Havia uma proposta, na época o Partido Socialista era muito romantizado, o Presidente era o João Mangabeira, que posteriormente veio a ser presidente da Petrobras e casou, por sinal, com uma moça de Cachoeiro, que eu conhecia [risos]... Então, nesse momento eu me lembro que a marca era alguém segurando uma bandeira vermelha, em cima do mundo [risos]. Essa era a marca do Partido Socialista Brasileiro. Mas nunca... a não ser na vida acadêmica. Eu sempre me filiava ao grupo desse lado, dentro de uma faculdade de direito era muito difícil que não existisse esse aspecto, né? Todos os alunos de Direito, Filosofia talvez, Letras, eram muito voltados para essa área mais centro-esquerda do que centro-direita.

P/2 – E como o senhor descobriu o que realmente queria fazer, que o senhor ia mudar radicalmente?

R – Isso foi tão firme, que eu decidi e apenas comuniquei ao meu pai a decisão. Repare que eu sou de uma época paternalista, comuniquei ao meu pai, não foi à minha mãe [risos], porque nessa época o pai era realmente a figura maior de uma família. Porque eu sempre quis ir para o mar, mas nessa época eu tinha dois desafios: ou ia para a então chamada Marinha de Guerra – hoje não existe mais esse termo, é Marinha do Brasil – ou para a Marinha Mercante. Talvez pela minha passagem pela universidade, eu achava que a Marinha de Guerra ia tolher alguma coisa que eu buscava no mar, que era a sensação de liberdade, de grandes horizontes. Posteriormente, a Marinha Mercante acabou sendo também militarizada. Mas foi uma opção que eu fiz consciente pela Marinha Mercante e, desde o primeiro momento, por embarcar em navios da primeira geração da Fronape [Frota Nacional de Petroleiros].

P/2 – Aí o senhor foi para a Marinha de Guerra...

R – Não, o curso... A própria Marinha Mercante era formada pela Marinha de Guerra. Como até hoje é. Só que hoje o oficial da Marinha Mercante sai oficial da Marinha de Guerra também. Tem o fuzileiro naval, tem o intendente, tem o da armada e tem o da Marinha Mercante. Sendo que o da Marinha Mercante recebe o posto de tenente e mais um título: bacharel em Ciências Náuticas.

P/1 – Só para a gente entender… o senhor disse que já saiu com a Fronape...

R – Com os seus primeiros navios incorporados.

P/2 – Em que ano foi isso?

R – Foi... na realidade eu sou da turma de 1953 e eu já embarquei em 1954 em viagem e adestramento, mas a minha admissão na Petrobras... porque aí você faz viagem e adestramento ligado só à Marinha. Eu era Marinha, como até hoje os meninos embarcam quando concluem o curso, em viagem e instrução. No término, eu já fiquei na Fronape, que não era na ocasião a melhor opção.

P/1 – Mas a Fronape foi uma opção sua, como é que foi?

R – Foi uma opção minha.

P/1 – Saía e já tinha mais ou menos um direcionamento profissional?

R – Na época havia uma carência muito grande de oficiais por várias razões, pela dificuldade no exercício da função, que requer uma série de características muitos especiais. Na ocasião eu fui convidado para ir para o Lloyd. O Lloyd era o dono das linhas do norte da Europa, do Mediterrâneo, do Japão e dos dois oceanos americanos, incluindo o Canadá. Todos queriam ir para lá, eu fui convidado para ir. Mas eu fiz uma opção por uma empresa que ninguém sabia ainda o que era. Era a Fronape, a Petrobras sendo constituída naquela época, porque a Fronape precedeu a própria Petrobras. Hoje, o órgão mais antigo da Petrobras é a Fronape. Depois, quando foi criada a Petrobras, os ativos da Fronape foram incorporados à Petrobras.

P/1 – A Fronape era do Governo ou era ligada...

R – Ela começou subordinada ao presidente da República, porque foi uma decisão estratégica. Ela foi criada em decorrência da Segunda Guerra Mundial, eu já era rapaz, morava no Rio, eu lembro de um país desabastecido porque nós não tínhamos petroleiros. Os petroleiros, na guerra, todos estrangeiros, foram desviados para as suas pátrias de origem ou para o front de combate. Aqui – ainda bem que naquela época o consumo era mínimo – nós não tínhamos refinaria, não tínhamos duto, não tínhamos terminais, não tínhamos navio. Então, após a guerra surgiu a grande possibilidade da Terceira Guerra Mundial no mesmo século, que seria contra a Rússia. O [Eurico Gaspar] Dutra, dentro do plano Salte – saúde, alimentação, transporte e educação – inseriu a necessidade urgentíssima de uma frota de petroleiros que garantisse o abastecimento nacional. Por isso, nós compramos, encomendamos, navios petroleiros em quatro países e em vários estaleiros desses países, para que o recebimento fosse o mais urgente possível, para que nós, pelo menos, pudéssemos mandar esses navios para as fontes de produção. Nós não tínhamos produção, para trazer o petróleo já indispensável ao Brasil. E daí a Fronape.

P/1 – Uma encomenda de navios especificamente petroleiros?

R – São todos petroleiros, todos petroleiros. Na Suécia, na Holanda – o meu era holandês – Inglaterra e Japão. No Japão, por pressão americana. Eles pressionavam há muitos anos, porque eles queriam reerguer a indústria japonesa recentemente destruída, para servir como baluarte avançado contra o comunismo naquele país no extremo oriente. Então, nós compramos dez navios lá, pequenos, os menores, os mais rudimentares – era o que eles faziam nessa época – e nós recebemos esses dez navios, a entrega com diferença de um dia. E não foi... eu fui superintendente geral da Fronape posteriormente, eu digo que o maior desafio não foi o meu e nem o de ninguém, foi do primeiro administrador. Na época, o título de superintendente geral, que hoje é gerente geral, era de administrador, por várias razões: o primeiro era um coronel de cavalaria [risos] que chegou a general.

P/2- Na Fronape.

R – Na Fronape. Mas, foi muito bom. Segundo ele, criou uma empresa de navegação, mas não era a profissão dele [risos], sem ninguém nos escritórios que conhecesse o mercado de transporte do petróleo, ninguém que conhecesse no Brasil, salvo algo que nós chamávamos almotolias, pequenos petroleiros do Lloyd.

P/1 – Chama-se como?

R – Almotolias. Pequeno, tão pequeno, que hoje seria só para lubrificar alguma coisa [risos]. Um deles foi torpedeado e os outros eram navios muito velhos, do início da guerra, que já não tinham nem condições. Outro foi perdido, encalhou no Estreito de Magalhães. A dificuldade no Brasil foi tremenda, foi uma época que criaram o gasogênio, os carros andavam com carvão, com uma refinaria amarrada nas costas de cada um.

P/1 – Senhor Cevidanes, só para a gente voltar então...

R – Pois não.

P/1 – Antes da criação da Petrobras, o senhor pode falar para a gente um pouco como é que foi esse momento de criação, o senhor participou?

R – É... Desse momento antes da Petrobras, eu participei ainda como estudante de Direito, de comício “O Petróleo é nosso”. A Petrobras ficou uma devedora muito grande das Forças Armadas, sobretudo do Exército. Foi uma bandeira do Exército com o pessoal de esquerda, mas o Exército dava aquele tom nacionalista que nós precisávamos: a independência energética através do petróleo. Nós não tínhamos essa visão dentro do transporte marítimo, né, era um lado. E ninguém tinha, nós não tínhamos refinaria, não tínhamos nada...

P/1 – Mas como estudante, vocês se sentiram mobilizados?

R – Participava, participava do “Petróleo é nosso”. Então, um vereador, acho que um deputado estadual, Wilson Leite Passos, é um homem muito... sempre foi da extrema direita, estudamos juntos, ele participava também. O Centro Acadêmico participava da criação da Petrobras e talvez por isso, quando me deram a oportunidade de embarcar, eu fiz uma escolha consciente pela Fronape e não pelo Lloyd Brasileiro, que era o melhor da época, entendeu? Foi por aí. Então, durante muitos anos, desde esse início militar, muito antes da revolução de 1964, nós tínhamos, preponderantemente, presidentes militares na Petrobras. E na área da Fronape, um cordão umbilical muito grande com a Marinha. Os superintendentes todos eram almirantes ou comandantes, entendeu? Eu fui o primeiro que fez toda a carreira no mar, da Fronape, a assumir essa função de superintendente geral, porque havia sempre os de fora.

P/1 – Sem ser militar?

R – Sem ser militar.

P/1 – Sem estar ligado às Forças.

R – Sem estar ligado às Forças Armadas. Então, no caso nosso, por todas as razões, era indispensável um excelente relacionamento porque é a Marinha que diz se o navio pode sair do porto ou não, é a Marinha que prepara toda a mão de obra de qualquer atividade marítima, é a Marinha que faz todos os inquéritos de poluição, de acidentes e fatos da navegação, né? Então era fundamental... o Tribunal Marítimo... as minhas falhas eu respondo num tribunal específico como homem do mar. Falhas profissionais [risos], respondo no Tribunal Marítimo que é presidido por um almirante, que tem como juízes comandantes como eu e comandantes da Marinha também. Então, por todas as razões... eu lembro de um presidente da Transpetro [Petrobras Transportes S.A.] que quando assumiu, eu perguntei: “Já comunicou à Marinha?”. Ele falou: “Ué, porque que eu tenho que comunicar à Marinha?”. Eu falei: “Por isso [risos]!” É importantíssimo um bom relacionamento com a Marinha. E é uma mão de duas vias, né, ora a gente colabora ora eles ajudam muito também.

P/1 – Comandante...Posso chamar de comandante?

R – Pois não, por favor. Fique à vontade.

P/1 – Quando o senhor ingressou na Fronape, foi o seu primeiro trabalho?

R – Não, eu fiz referência que como estudante de Direito eu trabalhei no Instituto como fiscal, né? Eu abri mão dessa função onde eu ganhava muito mais do que eu viria a ganhar quando terminasse o meu curso [risos].

P/1 – Ah, é?

R – Repare que foi uma opção mesmo...

P/1 – Uma opção mesmo.

R – Eu larguei um emprego... todo mundo ficou espantado. Porque na época era... ainda mais pela idade que eu tinha, novo, 22 anos, o que eu ganhava... Falei: “Prefiro seguir a carreira do mar”. O que viria a ganhar no fim, ganhava menos do que...

P/1 – Seu pai aceitou bem depois daquela conversa?

R – Não, nós não discutimos. Ele falou: “Espero que essa seja sua opção.” Eu falei: “Não, a primeira não foi minha, essa é a minha opção [risos].” Ele falou assim: “Eu espero que seja a última opção.” Eu falei: “Não, essa é a minha primeira opção, a outra foi do senhor [risos].”

P/1 – E aí, conta desse início na Fronape, como é que foi?

R – Ah! Foi extremamente prazeroso, mas ao mesmo tempo, desafiador. Não havia uma uniformidade a bordo, porque não existia uma empresa. Uma empresa que nasceu já muito grande, numa época… Em um navio... Para ter uma ideia: naquela ocasião, nós tínhamos 880 marítimos... 842 marítimos para tripular 22 navios, para transportar um total de 220 mil toneladas de petróleo. Posteriormente, eu recebi o primeiro desses navios, chamava-se (Ierãs?), VLCC, que é [Very Large Crude Carrier], navios de 280 mil toneladas. Com 24 transportava 280. Então, é para racionalização do transporte em termos de utilização de mão de obra. Navios maiores, com muito menos gente. O fenômeno, não é um fenômeno isolado, ocorreu em toda a indústria, onde a tecnologia foi substituindo o homem, né? Então, nessa época, nós tínhamos um navio de 22 mil – era o maior navio da América Latina, era nosso, era o Goiânia – mas com 52 homens para tripular. Os equipamentos que nós manuseávamos eram totalmente pesados, diferente do de hoje, com rentabilidade...

P/1 – Então era uma tripulação pequena?

R – Não, eram 52!

P/1 – Pois é, é que eu não sei a proporção, o que é uma...

R – Um navio de 22… Hoje, um navio de 280 é tripulado por 19 homens, entendeu? Então, essa é a diferença em todos os custos. Nós tivemos que caminhar para isso, inclusive por um problema de competitividade e embarque de tecnologia, né? Sem a tecnologia embarcada, não daria. Isso foi perseguido através dos países mais desenvolvidos, especialmente na Alemanha, no Japão, sempre junto com a universidade, estudando a empresa, os sindicatos… O Japão chegou a criar navios com nove homens, mas que não se mostraram… porque não havia condição de vivenciar um isolamento tão grande. Quando o navio chegava no porto, embarcava mão de obra para amarrar o navio, então isso foi abandonado. Hoje um navio com 19, 18, é a realidade.

P/1 – Vamos então voltar lá para...

– Pois não.

P/1 – Para o início da Fronape.

R – Não seria _____ _______, porque eu tenho muita coisa para contar [risos].

P/1 – Não, mas é ótimo! A gente tem tempo, é só para a gente conseguir...

R – Eu sei.

P/1 – Então, lá para o início, voltando, qual foi a sua primeira viagem?

R – Olha, eu sempre fui um profissional de longo curso. Na realidade, em 40 anos, eu tive apenas cinco anos como comandante na cabotagem, porque era... Você passava... Fazia curso primeiro para capitão de cabotagem, mas eu fui promovido para o quadro de comandante, com a carta de primeiro navegador. A Petrobras, na ocasião, deu essa condição, então eu passei para o quadro. Era um navio de gás, nosso, Petrobras Leste, conhecido na nossa gíria como Jesus está chamando, porque era navio de gás, tinha muitos vazamentos, teve algumas explosões antes [risos]. Eu comandei esse navio. Todos que começavam, começavam por ele, era um teste de ferro: ou vai dar certo ou não vai dar.

P/1 – Ou vai ou racha [risos].

R – Ou vai ou racha [risos]. Eu comandei na costa, posteriormente comandei um segundo navio na costa, dali eu fui tirado para pegar o segundo navio petroleiro construído no Brasil, que foi o Buracica, navio de 10 mil. Dali eu já passei para um navio de longo curso, como capitão de longo curso, porque eu havia feito curso. Então, em 40 anos eu tive cinco anos de costa e toda a minha vida foi no longo curso. O primeiro, eu saí direto para o Golfo Pérsico e voltei ao Brasil um ano e meio depois.

P/1 – Essa primeira viagem foi em que ano, o senhor consegue precisar para a gente?

R – Eu lembro sim. Como oficial... eu embarquei antes como aluno da escola, essa a gente não conta. Como oficial, já como Petrobras, funcionário da Petrobras, foi em abril de 1955. Nós saímos para o Golfo Pérsico, naquela época nós ainda... exatamente pela criação de um grande número de navios, nós já começávamos a ter a Refinaria de Mataripe. Cubatão estava iniciando a produção e nós não tínhamos utilização no Brasil para os petroleiros. Então, nós ficávamos afretados lá fora, a Petrobras fretava os seus navios, quando ela... pegou o dela e entregou no mercado. Eu lembro que logo nós carregamos, fomos para o mar da Europa por Suez. Depois voltávamos, nunca sabíamos para onde iríamos, carregávamos para a Índia, descia até o Sri Lanka, depois voltávamos, depois carregávamos para a Costa Oriental da África, voltávamos, Austrália. Os navios ficavam assim, sem retorno, né?

P/1 – E isso era o que, um ano de viagem?

R – Não, nessa viagem nós ficamos um ano e meio, até recebermos uma ordem de carregar na Venezuela. Aquilo foi uma alegria, a Venezuela é Brasil. Aí, não era bem... recebemos ordem para ir descarregar na Argentina. Passamos bem em frente ao Rio, e na Argentina...

P/1 – Passaram ainda aqui em frente?

R – É, passamos aqui, chegamos em frente... chegamos lá e recebemos ordem (camp out order?), para ordens. Ainda não tinha o destino, mandavam despachar para poder sair do porto... tinha que ter um destino, então navegávamos para __________ para ordens, e recebemos nova ordem para ir para o Golfo Pérsico. Nessa época, as férias eram de 20 dias. Você desembarcava em algum lugar, você realmente só podia entrar de férias no terceiro dia, porque tinha os exames médicos, os cálculos eram todos feitos à mão. Então, quando você ficava liberado, você tinha uns 16, 17 dias de férias e já a ameaça de ter a data de apresentação, porque senão criava problema, né? Era uma discriminação muito grande na época.

P/1 – Mas me conta a sua emoção dessa primeira viagem, o que que o senhor sentiu?

R – Olha, foram coisas fascinantes. Primeiro, me realizei logo na primeira viagem pelo ambiente de bordo, havia uma fraternidade muito grande entre o grupo isolado. A bordo do navio você é um grupo isolado onde não existe autoridade coatora que não seja o próprio comandante. Por isso, a bordo o comandante representa os interesses do Estado, ele é o juiz, ele é a polícia. É ele que tem que fazer cumprir as ordens, as leis do país. Fazer cumprir as leis do país onde você esteja. O cerimonial, porque quando você adentra um porto e você iça na verga de boreste, que é de honra, a bandeira do país onde você está, o comandante está dizendo: reconheço e acato as leis do país. Então, além das suas leis, você tem que saber também aquilo. Isso foi um grande handicap para o grupo do mar quando o mundo começou a vivenciar o problema do meio ambiente. Aqui no Brasil, você baldeava e jogava óleo na Baía de Guanabara e ninguém dizia rigorosamente nada. Em Angra dos Reis, a lancha da Marinha passava, dava adeus e você estava limpando o tanque para docar, fundeado lá dentro daquele santuário. A mesma coisa em São Sebastião. Nós começamos a ser cobrados lá fora. Então, nós nos adequamos a toda uma outra visão mundial a respeito disso, quando a Petrobras ainda não tinha esse problema e ninguém tinha esse problema no Brasil. Foi a...

P/1 – Vocês chegaram a ter chamada a atenção?

R – Lá fora?

P/1 – É, para se adequar?

R – Não, não. Agora, se você não se adequasse você era penalizado. E já por influência do americano, do inglês e do francês. Nessa época, no Golfo Pérsico, que o árabe detesta que seja... eu lembro que... Todos os países do Golfo Pérsico são árabes, e só a Pérsia, que domina o lado de lá – são muçulmanos – não é árabe, eles se sentem menosprezados. Então, lá precisa ser Arabian Gulf, você não pode falar Persian Gulf quando está nos países árabes, né? Eles passaram a cobrar muito isso na Arabian Oil que explorava o óleo na Arábia Saudita. Você recebia esses impactos lá e nos países da Europa você recebia a visita da Coast Guard para avisar do perigo. Então, começou a ter que desenvolver todos os mecanismos, sem nenhuma instrução do Brasil, de não poluir, porque as regras eram muito drásticas, né, ainda são. Então, você se adequou muito. Isso fez com que, na minha época, quando eu era superintendente, nós conseguíssemos certos reconhecimentos internacionais, e dentro da Petrobras também, extraordinários. Nós nos antecipávamos às necessidades de cumprimento de ordem porque nós já tínhamos todo o embasamento nessa linha, entendeu, fruto dessa experiência internacional. Então, só para contar essa primeira viagem, eu fiz logo uma viagem extraordinária. Nós tivemos que arribar numa ilhazinha chamada Moçambique, para onde haviam sido desterrados os inconfidentes mineiros. Pouco problema, o navio entrou, foram fantásticos, tínhamos 600 brancos portugueses e 8 mil nativos nessa ilha.

P/1 – Como é que era o nome da ilha?

R – A ilha chamava-se Moçambique. No norte...

 

P/1 – Moçambique mesmo.

R – Na época, nós entramos para deixar o comandante que estava com ataque cardíaco, mas foram nove dias de festa. Os portugueses nos ofereciam festas e nós retribuíamos a bordo, à noite. Lá nós descobrimos que quando eles receberam a incumbência – o próprio governador nos contou – de receber uma comissão brasileira que ia trazer para o Brasil os inconfidentes mineiros, eles não sabiam onde estavam os inconfidentes. Porque naquela época ainda não existia cemitério. Então eles... botavam dentro, o desterrado tinha o mesmo tratamento de um nativo, entendeu? Não tinha... ele disse colônia... Lisboa avisou que ia um grupo para trazer para o cerimonial, um cruzador brasileiro... coisas desse tipo… Aí eles cataram uns ossos lá e montaram os ossos. O que nós reverenciamos aqui não são os ossos dos nossos [risos].

P/1 – Aquela velha história do soldado desconhecido: “Arranja alguém aí [risos]”.

R – Desconhecido, é... Então, isso obviamente não é discutido, foram os inconfidentes que chegaram ao Brasil de volta, né [risos]? Então, são esses fatos...

P/1 – E aí, foi uma festa lá na ilha?

R – É, foi...oh, foi uma festa.

P/1 – Era uma ilha pequena?

R – Muito pequena, muito pequena. Eram festas constantes, né? De um lado e do outro, excursões pelo interior, visita ao Parque Nacional. Ficamos nove dias...

P/1 – É bonito o lugar?

R – Muito bonito. A ilha não tinha carro. Cada um de nós tinha um riquixá. A gente chegava, era oficial, tinha um riquixá que me servia, era um nativo com plumagem...

P/1 – Cadeirinha...

R – Para vocês verem como eu sou antigo; eles te davam o chicote... se achasse que ele estava devagar, você deveria dar uma chicotada [risos]. Nunca fiz isso. Pelo contrário, né? Mesmo Portugal... era muito diferente da África do Sul o apartheid em Portugal, em Moçambique, não tinha essa denominação, mas mesmo assim... eu e um outro oficial almoçamos num restaurante que só freqüentavam… todos os garçons eram nativos, de saia, falando português com sotaque lisboeta e eu lembro que nós começamos a conversar naturalmente com eles, tivemos... porque o nosso comandante era preto nessa época, né? Parou o restaurante, parou. Todo mundo olhava aqueles dois brancos falando com os nativos. Eu falei: “ Vamos arrasar com eles?” Aí, quando levantamos, nós botamos a mão no ombro

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